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Posts Tagged ‘destros e canhotos’

Atenção canhotos do Brasil, a igreja do Bule Voador está promovendo uma cruzada contra nós, canhotos: reaja e diga não ao preconceito contra os canhotos, contra a canhotofobia! 😛 Segue o texto convocando para a marcha anticanhotismo:

Já não bastam os problemas educacionais do Brasil, agora cada vez mais as pessoas estão afrontando os valores da família brasileira. Nossa sociedade está cada vez mais libertina, a mídia cada vez mais amoral, e agora tentam instrumentalizar o Estado para incentivar e coadunar com a iniquidade em nosso país.

Primeiro o Ministério da Educação aprova um livro que ensina a falar errado, agora o MEC quer ensinar nas escolas que também não existe jeito certo de escrever.

Basta! Nós, brasileiros direitos, não vamos ser enganados: sabemos muito bem que há um jeito de escrever direito, de cozinhar direito, de dirigir direito, de se pentear direito. A verdade que o MEC e, é claro, os esquerdistas (o nome já diz tudo) querem esconder está clara até no dicionário:

DESTRO: adj. Perito; ágil; sagaz; hábil; jeitoso. des.tro

(Silveira Bueno, FTD, 2000.)

Diversidade tem limites. Nós temos o direito de não deixar que nossas crianças sejam alvo de propaganda de opção manual, qualquer que seja.

Não somos canhotofóbicos: amamos os canhotos, mas não podemos ser obrigados a apoiar a prática do canhotismo. Consideramos esta opção manual uma aberração da natureza, uma degeneração dos propósitos para os quais nosso Criador nos fez. Ele criou a mão direita para que ela fosse nosso instrumento sagrado de trabalho (ou lazer), e a mão esquerda para que seja um belo instrumento de apoio ou complementação ao que faz a mão direita, e não o contrário como fazem os canhotos!

No Sagrado Papiro da nossa religião, a verdade nos foi revelada tal como está no dicionário: o canhoto é o sinistro, o impuro, e o mal estará sobre tudo o que é feito com a mão esquerda. O canhoto é um insensato que escolhe uma forma imunda de agir, e todo canhoto ferverá no chá eterno do Bule Voador – que o chá esteja nele.

O Bule Voador – que o chá esteja nele – ama os canhotos, mas odeia o canhotismo. O Bule Voador – que o chá esteja nele – é uma infusão pura de amor, mas também é fervura consumidora. Ele nos criou DESTROS, de sua própria porcelana santa.

Se continuarem nossas políticas públicas condescendentes, que fazem apologia do canhotismo, o Brasil estará assinando o atestado de ser uma ditadura canhota que cerceia nossa liberdade religiosa e nossa liberdade de expressão.

Quantas vezes mais pessoas morrerão no trânsito por causa de motoristas canhotos, falsamente descritos pela mídia canhota como “bêbados”? Quantas vezes mais açougueiros que se dizem médicos deformarão e matarão em cirurgias por usar a mão imunda (esquerda)?

A mídia canhota internacional é tão influente que criou uma série com um assassino chamado “Dexter” (destro) para fazer sua propaganda pecaminosa! E esta moda está se infiltrando no Brasil.

Não é à toa que todos os movimentos políticos que mais mataram na História são aqueles que se alinham com os que estavam à esquerda do rei da França (a “Esquerda” política)!

Chega de destrofobia: participe da 1ª Marcha Anticanhotismo da Família com o Bule pela Liberdade. Vamos à marcha!

Embebido em Sua Graça,

Eli Vieira

Diácono da 2ª Diocese Buleira Losangular do Sétimo Chá de Porto Alegre.

#MarchaANTIcanhotismo da família com o Bule pela #liberdade

Observação minha: não esqueçam de ler os comentários no site do Bule Voador. E pra quem leva tudo a sério, é brincadeira, é uma paródia com a marcha contra a PL122 organizada por evangélicos, mas poderia ser verdade, se a humanidade não tivesse evoluído um pouquinho da inquisição pra cá.

E parabéns ao pessoal do Bule Voador, pela paródia extremamente criativa.

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Pesquisadores da Universidade de Berkeley, na Califórnia-EUA, desenvolveram um dispositivo magnético que pode fazer com que pessoas deixem de utilizar a mão direita para favorecer a esquerda. O dispositivo chama-se Estímulo Magnético Transcranial (TMS, em inglês) e ele afeta a região do córtex parietal posterior, que é a responsável por planejar movimentos.

Naturalmente, todas as pessoas são ambidestras, mas acabam favorecendo uma das duas mãos na hora de escrever ou utilizar determinados equipamentos. Durante os testes, os 33 voluntários (todos destros) não passaram a escrever com a mão esquerda, mas favoreceram a canhota na hora de realizar pequenas atividades, como pegar objetos e apertar o botão do elevador.

A intenção da pesquisa, no entanto, é mais nobre. Segundo Richard Ivry, principal pesquisador da tecnologia, eles pretendem usar o TMS com vítimas de derrames e outras doenças cerebrais, de modo que elas possam favorecer o lado do corpo que eles controlem melhor. Este estímulo ainda poderá ser usado para pacientes recuperarem movimentos de braços ou pernas, recuperando o controle total de seu corpo.

Dispositivo magnético pode fazer você mudar de destro para canhoto

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por Antenor Thomé

Quando estava encerrando minha faculdade de jornalismo em 2003, tinha que fazer o tal TCC. Acabei fazendo um vídeo sobre o Riso, mas eu tinha um “plano B” que era escrever um livro sobre a “Vida do Canhoto”.

Eu sou canhoto e nunca tive nenhum problema sobre isso, aliás eu acho o máximo. O primeiro aspecto que se comenta é o de escrever com a mão esquerda. Muita gente fala que canhoto tem letra feia e encontra dificuldades para escrever. Minha letra é bonita, as pessoas vivem elogiando e quanto as dificuldades acredito naquela história da adaptação. Fui aprendendo a lidar com as dificuldades e hoje não encontro grandes problemas.
Eu cheguei a fazer uma longa pesquisa sobre essa questão do canhoto e dos instrumentos adaptados para facilitar nossa vida. Quem é destro nunca deve ter parado para pensar, mas instrumentos simples como tesoura, régua e abridor de lata são feitos para pessoas que usam a mão direita. Esses objetos criados para o mundo dos destros fazem com que o canhoto tenha uma imagem de desajeitado, atrapalhado porque ao usar um abridor de latas, por exemplo, parecemos contorcionistas.
O que muita gente não sabe é que existiu um preconceito muito forte contra os canhotos e ainda há muitos traços desse preconceito ainda hoje. Vamos então buscar algumas explicações e respostas na história para entendermos o que há de temível nos canhotos.
Começemos pela religião, elas adoram criar preconceitos e idéias malucas sobre as coisas. Na bíblia Jesus senta-se ao lado direito de Deus. No século XVII difundiu-se a idéia de que o Diabo batizava seus seguidores com a mão esquerda. O Alcorão, por exemplo, diz que aqueles que carregam o livro na mão esquerda no dia do Juizo Final são as pessoas que não foram bem-venturadas. Ainda falando de religião, muitos canhotos foram queimados em fogueiras porque eram considerados feiticeiros, bruxas e paranormais.
Saindo da religião e partindo para a política. Percebemos também a forte influência desse pensamento obscuro com o lado esquerdo. Bom, de cara podemos citar o fato de o lado do contra, opositor, que está a margem é a “esquerda”. Na monarquia francesa ficava notória essa separação. Nobres ficavam ao lado direito do Rei, já a burguesia sempre a esquerda.
Esses são fatos que foram criando um imaginário que foi passando de geração para geração. Em um passado não tão distante professores repreendiam alunos que escreviam com a mão esquerda, forçavam crianças aprender a escrever com a mão direita. Até cumprimentar alguém é “correto” fazer com a mão direita.
Estima-se que cerca de 10% da população seja canhota. Alguns livros tentam encontrar respostas sobre as razões desta questão, um deles chama-se “Right Hand, Left Hand”. Não existem dados e estudos conclusivos sobre o canhoto. Muitos dizem que o canhoto é alguém diferenciado porque o lado direito do cérebro é mais ativo, lado esse que é ligado a genialidade, com as habilidades artísticas e visuais.
Pra finalizar e mostrar esse certo preconceito vou citar mais duas coisas. Adivinhe qual é o dia do canhoto. Dia 13 de agosto. Não preciso dizer que é um dia considerado por muitos de azar e no mês considerado de mal agouro.
Alguns idiomas deixam claro o lado negativo do canhoto. Bom, o contrário de canhoto em português é destro, que significa alguém dotado de destreza, hábil, correto. Em italiano canhoto é “sinistro” que quer dizer de mau agouro, fúnebre, ameaçador. Já em francês canhoto é “gauche” que significa alguém acanhado, inepto.
Quem utilizou muito bem esse termo foi Carlos Drummond de Andrade na primeira estrofe do poema “Poema de Sete Faces”.
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra disse:
Vai, Carlos! ser gauche na vida.

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Por Júlia Contier

Além do brilhantismo em diferentes áreas, o que será que Albert Einstein, Ayrton Senna, Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Napoleão Bonaparte teriam em comum? Todos eles eram canhotos. E a lista de pessoas famosas que têm mais habilidade com a mão esquerda não pára por aí: Tom Cruise, Julia Roberts e Keanu Reeves também tiveram maior facilidade em usar o lado esquerdo para escrever.

Aqueles que desenham, pintam, ou escrevem com a mão esquerda são chamados de canhotos, os que preferem a direita são destros e os que usam as duas mãos são ambidestros.

Alunos da 3.ª série do Colégio Nossa Senhora das Graças, Guilherme Brito, Olivia Nagawama, Marina Cardim e Guilherme Trevizani relataram que machucaram a mão direita uma vez e que tiveram de usar, com muita dificuldade, a mão esquerda por alguns dias. Para as quatro crianças, a experiência não foi nada fácil: elas borravam o caderno para escrever, tinham muita dificuldade para pintar e para realizar atividades simples do dia-a-dia. “Quando eu quebrei o braço direito achava muito difícil escrever com a mão esquerda, mas mesmo assim era mais fácil do que escrever com a direita, que estava engessada”, conta Guilherme, de 9 anos . Eles perceberam que ser canhoto não é nada fácil, mas há quem ache muito bom. Giulia Falzoni, por exemplo, gosta porque ela tem facilidade em jogar tênis com a mão esquerda e conseqüentemente tem ótimos resultados nos treinos.

A técnica de handebol Andrea Maio concorda que pode haver uma vantagem: “O aluno tem que saber aproveitar a habilidade na hora de fazer a fita, porque eles podem confundir os adversários que estão esperando o drible do outro lado”, diz ela. Coincidência ou não, o titular do time de handebol, André Ribeiro, é canhoto.

Frederico Moura Ignácio, de 10 anos, também treina neste time de handebol, mas, apesar de ter o poder de desarmar o adversário lançando a bola com a mão esquerda, ele percebe algumas dificuldades por ser canhoto. Para escrever, por exemplo, a espiral do caderno incomoda muito. Marcelo Wajskop também acha ruim escrever porque a espiral machuca suas mãos na hora de fazer as tarefas.

Se até 1960 os professores proibiam as crianças de escrever com a mão esquerda, hoje tem se pensado cada vez mais nos alunos dentro do ambiente escolar, afinal os canhotos representam 10% da população mundial. As escolas já possuem carteiras adaptadas. Em algumas lojas conseguimos encontrar tesouras, cadernos, mouse, teclado e até abridores de lata para canhotos.

Para essa turma, os cadernos têm o espiral em cima e não na lateral, como um bloquinho de anotação. Ainda falando das dificuldades dos canhotos em usar materiais escolares para pessoas destras, Clara Abboud conta que usa uma tesoura especial para canhotos e diz que é bem mais fácil para cortar.

No Leadership Group, maior distribuidor de acessórios de informática do País, é possível comprar pela internet mouses e teclados especiais para canhotos (www.leadershop.com.br). Em Londres, capital da Inglaterra, existe uma loja com mais de 250 produtos especializados para canhotos (www.anythingleft-handed.co.uk). Vale a pena ficar atento a tudo que facilite a vida e a rotina de quem se vira melhor do lado esquerdo.

O fantástico mundo dos canhotos

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Aprender um ofício é coisa cheia de rituais. Tive um funcionário no Nabuco, um japonês, cuja maior frustração era não poder aprender a fazer sushi por ser canhoto. Não havia quem se dispusesse a aceitá-lo como aprendiz.

Contei essa história para o Arnaldo Lorençato e ele, encafifado e diligentemente, apurou que não há impedimento formal para eles mas que, de fato, “muitos chefs e sushiman destros têm certa repugnância em ensinar discípulos canhotos, pois são obrigados a inverter o processo para mostrar o corte. Um sacrifício, pois se trata de um processo ainda mais árduo que o aprendizado convencional”.

Lorençato forneceu outras informações preciosas, que agradeço partilhando com os leitores.

“Certo é que mestres e todos os tipos de artesãos preferem os destros, especialmente na carpintaria e na marcenaria, porque no artesanato se exige muita disciplina e uniformidade no resultado. Canhotos fazem nós e cortes diferentes. Precisam, portanto, trabalhar o dobro para superar esse obstáculo”, esclarece Lorençato.

“O mais famoso dos sushimen canhotos no Japão é Jiro Ono, dono e chef do Sukiyabashi Jiro, o três estrelas do sushi mais respeitado de Tokyo. Relatos sobre Jiro-san e também outro sushiman canhoto, Ryuichi Yui, dono e chef do Sushi “Ki”, podem ser lidos em Sushi o Kiwameru (tradução livre: Radicalizando o Sushi), ed. Kodansha, 2003, somente em japonês. Nesse livro, ambos contam o drama de ser canhoto num mundo de artesãos destros. O único sushiman canhoto de qual tenho notícia em São Paulo é Mario Nagayama, da rede Nagayama. Há anos, entretanto, ele atua apenas como empresário”, finaliza o critico que é também o maior e mais erudito especialista brasileiro em culinária japonesa.

Liberdade de aprendizado para os canhotos!

* Carlos Dória é doutor em sociologia e assina o Blog E-Boca Livre.

O canhoto na cozinha japonesa

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Canhoto ou destro: pesquisa indica que a influência das experiências ao longo da vida pode ser maior do que se imaginava

Ser destro ou canhoto pode ser apenas uma questão de prática, não sendo a genética tão determinante assim na definição de qual mão utilizamos para escrever ou que pé usamos para chutar uma bola, por exemplo. A afirmação pode parecer estranha, mas é o que sugerem trabalhos realizados pelo Laboratório de Sistemas Motores Humanos da Escola de Educação Física e Esportes da Universidade de São Paulo (EEFE/USP), que deram origem à pesquisa Lateralidade e comportamento motor. Os resultados do estudo demonstram que essa preferência é provocada pelo processo do desenvolvimento motor. “Nossa suposição é que as experiências motoras com cada uma das mãos têm importância muito maior no desenvolvimento da lateralidade do que se imagina”, alega Luis Augusto Teixeira, coordenador da pesquisa.

De forma geral, acredita-se que a lateralidade de uma pessoa seja provocada pelos genes. Por esse ponto de vista, um dos hemisférios cerebrais seria mais apto a controlar os movimentos voluntários e, em função dessa predisposição inata, a pessoa se tornaria destra ou canhota. No entanto, Teixeira observou que tanto a preferência pelo uso de uma das mãos quanto o desempenho motor relativo entre as mãos direita e esquerda podem ser facilmente modificados por experiências práticas. Isso tem implicações diretas na formação da lateralidade nos primeiros anos de vida, quando se estabelece a preferência. “O simples fato de a mãe colocar uma colher ou brinquedo sempre em uma das mãos de seu bebê poderia influir na formação de sua lateralidade”, pontua.

Os estudos têm mostrado que, para a grande maioria das ações motoras, a capacidade de aprendizagem é equivalente entre os lados direito e esquerdo do corpo. Por isso, uma vez que alguém se empenhe em praticar alguma atividade usando o lado não dominante pode, após algum tempo, desempenhar as ações praticadas alcançando a mesma eficiência com ambas as mãos.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores pediram a voluntários que fizessem exercícios que consistiam em realizar uma sequência de toques entre os dedos. Um grupo de pessoas fez o exercício com a mão preferida e o outro, com a mão não preferida. “Aqueles que começavam com a mão não dominante achavam que não conseguiriam realizar as tarefas”, conta Teixeira. Porém, a taxa de sucesso entre os dois grupos foi similar. A medição feita no final dos testes mostrou que o desempenho de ambos os grupos dependia muito mais da mão com que praticaram o exercício do que do fato de terem usado a mão preferida ou não.

Outro fator observado foi que uma certa prática leva aos mesmos resultados com os lados dominante e não dominante. Isso significa que, se uma ação é praticada com a mão não preferida, depois de pouco tempo o desempenho se torna melhor com esta mão do que com a mão dominante. “Assim, fica evidente que a plasticidade neural é capaz de, rapidamente, levar a uma vantagem de desempenho com a mão usada durante a prática”, analisa Teixeira. Não existe uma forma especial de prática com o lado não preferido em comparação ao praticado com o lado preferido. É preciso haver uma quantidade mínima de repetições com o propósito de melhorar o desempenho.

Circuitos

No domínio motor, porém, são poucas as ações em que há uma vantagem consistente de desempenho com um dos lados do corpo desde fases iniciais do desenvolvimento. Algo que os cientistas já sabem é que experiências com uma das mãos levam a modificações nos circuitos cerebrais. “Uma parte importante dessas modificações é específica ao hemisfério cerebral contralateral à mão utilizada. Assim, a especialização hemisférica é algo dinâmico, que se altera com as experiências do dia a dia”, explica o coordenador da pesquisa.

É aí que Teixeira sugere que a escolha do lado dominante do corpo pode ser feita por conta de acontecimentos na vida do indivíduo, ou mesmo por influência dos pais. “A criança se espelha nos pais. Se eles são destros oferecem tudo ao bebê com a mão direita. Com isso, a criança acaba tendendo a ser destra também.” Segundo o coordenador, a preferência manual é bastante variável até os 2 anos de idade, sendo bastante suscetível de ser afetada por fatores ambientais.

Então, como explicar os ambidestros? Alex Ribeiro Garcia, 29 anos, jogador do Universo e da Seleção Brasileira de Basquete, é um desses casos raros. Ele chuta com o pé esquerdo e arremessa com a mão esquerda, mas controla melhor a bola com a direita, a preferida também na hora de escrever. “Minha precisão é com a esquerda, mas sou mais confiante com meu lado direito”, diz o jogador, que se considera canhoto.

Para a ciência, no entanto, ele tem o que se chama lateralidade cruzada. “Por algum motivo, ele desenvolveu essa preferência cruzada. O que demonstra que elementos como prática ou algum acontecimento durante a vida tenha definido a ambidestralidade, mesmo que cruzada”, explica Luis Augusto Teixeira. Alex puxa pela memória, mas não sabe dizer o que pode ter definido suas escolhas. “Sou assim desde criança. Mas confesso que o esporte me ajudou a desenvolver essas habilidades que chamam de cruzadas.” Os estudos podem servir de estímulo para atletas treinarem os dois lados do corpo, buscando melhorar sua performance. “O difícil é convencer a pessoa a se empenhar e fazer com que os lados fiquem equiparados”, comenta Teixeira.

Domínio do cérebro

A lateralidade é a capacidade de controlar os dois lados do corpo juntos ou separadamente. Quem comanda essa atividade é o cérebro. Cada um de seus dois lados controla os movimentos da parte oposta do corpo. Assim, a mão e o pé esquerdos, por exemplo, são acionados pelo hemisfério cerebral direito, e vice-versa

A prática

O estudo traz resultados de vários trabalhos e elabora a tese de que a preferência pelo lado direito ou esquerdo não seria um fator genético pré-determinado, mas algo esculpido pelo processo de desenvolvimento motor. Portanto, os dois lados do corpo têm o mesmo potencial nesse desenvolvimento.

Os testes

Uma sequência de toque entre os dedos (movimento de pinça) foi proposta a voluntários. Um grupo fez o exercício com a mão preferida e um outro com a mão não preferida

Resultados

A taxa de sucesso nos dois grupos foi similar. A medição sugeriu que o desempenho dos grupos dependia muito mais da mão com que praticaram o exercício do que do fato de terem usado a mão preferida ou não. A prática foi determinante

Surpresa

Os voluntários que utilizaram a mão não preferida afirmaram que se sentiram mais confiantes fazendo o exercício com aquela mão depois de tentarem com a mão preferida

por Silvia Pacheco

Ser canhoto ou destro é só questão prática, diz pesquisa

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Mas, afinal, o que define se uma pessoa será canhota ou destra? O doutor em psicologia experimental Eduardo José Legal acredita que a causa não tem uma explicação 100% conclusiva. “Não há consenso sobre a origem da lateralidade. Estudos com animais e imagens de crianças na fase pré-natal demonstram que esta característica comportamental tem raízes na herança genética. E como toda característica comportamental, também é construída pela aprendizagem”, analisa.

O neurologista Rafael Pauletti alerta que até hoje ninguém entendeu muito bem o que define o canhotismo. “Se sabe apenas que há relação com a genética.” Há também a hipótese de que nos primeiros anos a criança não tem preferência, e ela acaba sendo treinada pelo ambiente. Isso explicaria porque há mais canhotos em famílias com canhotos. O pai canhoto inconscientemente estaria treinando a mão esquerda do filho. Mas esta teoria também tem seus desvios.

“A aprendizagem, neste caso, faz mais sentido quando observamos o desenvolvimento das habilidades corporais, do que quando observamos a escolha feita pelo sujeito”, explica Eduardo. Segundo ele, aprender a usar outra mão ou outro lado do corpo que não o preferido é algo possível, mas isto não muda o fato de o sujeito ser canhoto ou destro.

Eduardo destaca que o controle cerebral dos movimentos do corpo é realizado de modo inverso. O hemisfério direito rege o lado esquerdo do corpo e vice-versa. A escrita, que é um ato motor, tende a seguir a mesma regra. “Contudo, raros são os casos de assimetria invertida, isto é, os centros cerebrais de controle estarem invertidos. Isto quer dizer que mesmo em um sujeito canhoto, o lado esquerdo do cérebro pode ser o responsável pelo controle da linguagem.”

Alguns estudos têm demonstrado uma relação entre a lateralidade, especificamente o canhotismo, e a criatividade em atividades artísticas e na ciência. Porém, as evidências não são tão claras. Eduardo enfatiza que há exageros e distorções estatísticas. Mas, de qualquer forma, muitas pessoas criativas nestas áreas do conhecimento humano são canhotas. Se suas contribuições foram geradas pelas características cerebrais ou pela história de adaptação da pessoa em um mundo de destros, ninguém tem certeza ainda.

Já o neurologista Rafael Pauletti garante que existe uma explicação lógica para os canhotos serem conhecidos por sua inteligência e criatividade. “Sem notar, o canhoto passa o dia estimulando o hemisfério do cérebro que não é predominante. Isso pode influenciar na velocidade das ações do outro hemisfério, o que desenvolve tanto questões motoras quanto racionais”, explica. Mas os estudos também não são conclusivos porque, segundo esta teoria os destros teriam o hemisfério esquerdo predominante e os canhotos o direito. No entanto, apenas 50% dos canhotos tem, comprovadamente, o hemisfério direito predominante. São as incertezas da ciência.

As explicações científicas não diminuem a incompreensão em relação aos canhotos. Algumas começam na infância, quando a falta de informação faz com que pais, ainda hoje, obriguem a criança canhota a escrever com a mão direita. A atitude pode desencadear problemas de aprendizagem, como escrita mais lenta e até problemas para ler e se expressar, garantem os especialistas.

Por outro lado, em atividades como o esporte por exemplo, ser canhoto é bem vantajoso, já que poucos adversários estão preparados para lidar com alguém habilidoso com a mão ou com a perna esquerda. O jogador Roberto Carlos, que jogou muito tempo na Seleção Brasileira ficou conhecido pelos fortes chutes com o pé esquerdo.

Na copa de 1970, o jogador Gérson se destacou como o “canhotinha de ouro”. Em 1994, Branco ajudou a seleção a conquistar a copa com um chute de esquerda. E em pesquisas na internet é comum que os sites apontem Pelé e Romário como canhotos. Mas quem entende de futebol garante que eles são destros.

Incertezas da ciência – A Notícia

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