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Posts Tagged ‘reportagens sobre canhotos’

Pesquisadores da Universidade de Berkeley, na Califórnia-EUA, desenvolveram um dispositivo magnético que pode fazer com que pessoas deixem de utilizar a mão direita para favorecer a esquerda. O dispositivo chama-se Estímulo Magnético Transcranial (TMS, em inglês) e ele afeta a região do córtex parietal posterior, que é a responsável por planejar movimentos.

Naturalmente, todas as pessoas são ambidestras, mas acabam favorecendo uma das duas mãos na hora de escrever ou utilizar determinados equipamentos. Durante os testes, os 33 voluntários (todos destros) não passaram a escrever com a mão esquerda, mas favoreceram a canhota na hora de realizar pequenas atividades, como pegar objetos e apertar o botão do elevador.

A intenção da pesquisa, no entanto, é mais nobre. Segundo Richard Ivry, principal pesquisador da tecnologia, eles pretendem usar o TMS com vítimas de derrames e outras doenças cerebrais, de modo que elas possam favorecer o lado do corpo que eles controlem melhor. Este estímulo ainda poderá ser usado para pacientes recuperarem movimentos de braços ou pernas, recuperando o controle total de seu corpo.

Dispositivo magnético pode fazer você mudar de destro para canhoto

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Por Júlia Contier

Além do brilhantismo em diferentes áreas, o que será que Albert Einstein, Ayrton Senna, Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Napoleão Bonaparte teriam em comum? Todos eles eram canhotos. E a lista de pessoas famosas que têm mais habilidade com a mão esquerda não pára por aí: Tom Cruise, Julia Roberts e Keanu Reeves também tiveram maior facilidade em usar o lado esquerdo para escrever.

Aqueles que desenham, pintam, ou escrevem com a mão esquerda são chamados de canhotos, os que preferem a direita são destros e os que usam as duas mãos são ambidestros.

Alunos da 3.ª série do Colégio Nossa Senhora das Graças, Guilherme Brito, Olivia Nagawama, Marina Cardim e Guilherme Trevizani relataram que machucaram a mão direita uma vez e que tiveram de usar, com muita dificuldade, a mão esquerda por alguns dias. Para as quatro crianças, a experiência não foi nada fácil: elas borravam o caderno para escrever, tinham muita dificuldade para pintar e para realizar atividades simples do dia-a-dia. “Quando eu quebrei o braço direito achava muito difícil escrever com a mão esquerda, mas mesmo assim era mais fácil do que escrever com a direita, que estava engessada”, conta Guilherme, de 9 anos . Eles perceberam que ser canhoto não é nada fácil, mas há quem ache muito bom. Giulia Falzoni, por exemplo, gosta porque ela tem facilidade em jogar tênis com a mão esquerda e conseqüentemente tem ótimos resultados nos treinos.

A técnica de handebol Andrea Maio concorda que pode haver uma vantagem: “O aluno tem que saber aproveitar a habilidade na hora de fazer a fita, porque eles podem confundir os adversários que estão esperando o drible do outro lado”, diz ela. Coincidência ou não, o titular do time de handebol, André Ribeiro, é canhoto.

Frederico Moura Ignácio, de 10 anos, também treina neste time de handebol, mas, apesar de ter o poder de desarmar o adversário lançando a bola com a mão esquerda, ele percebe algumas dificuldades por ser canhoto. Para escrever, por exemplo, a espiral do caderno incomoda muito. Marcelo Wajskop também acha ruim escrever porque a espiral machuca suas mãos na hora de fazer as tarefas.

Se até 1960 os professores proibiam as crianças de escrever com a mão esquerda, hoje tem se pensado cada vez mais nos alunos dentro do ambiente escolar, afinal os canhotos representam 10% da população mundial. As escolas já possuem carteiras adaptadas. Em algumas lojas conseguimos encontrar tesouras, cadernos, mouse, teclado e até abridores de lata para canhotos.

Para essa turma, os cadernos têm o espiral em cima e não na lateral, como um bloquinho de anotação. Ainda falando das dificuldades dos canhotos em usar materiais escolares para pessoas destras, Clara Abboud conta que usa uma tesoura especial para canhotos e diz que é bem mais fácil para cortar.

No Leadership Group, maior distribuidor de acessórios de informática do País, é possível comprar pela internet mouses e teclados especiais para canhotos (www.leadershop.com.br). Em Londres, capital da Inglaterra, existe uma loja com mais de 250 produtos especializados para canhotos (www.anythingleft-handed.co.uk). Vale a pena ficar atento a tudo que facilite a vida e a rotina de quem se vira melhor do lado esquerdo.

O fantástico mundo dos canhotos

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Canhoto ou destro: pesquisa indica que a influência das experiências ao longo da vida pode ser maior do que se imaginava

Ser destro ou canhoto pode ser apenas uma questão de prática, não sendo a genética tão determinante assim na definição de qual mão utilizamos para escrever ou que pé usamos para chutar uma bola, por exemplo. A afirmação pode parecer estranha, mas é o que sugerem trabalhos realizados pelo Laboratório de Sistemas Motores Humanos da Escola de Educação Física e Esportes da Universidade de São Paulo (EEFE/USP), que deram origem à pesquisa Lateralidade e comportamento motor. Os resultados do estudo demonstram que essa preferência é provocada pelo processo do desenvolvimento motor. “Nossa suposição é que as experiências motoras com cada uma das mãos têm importância muito maior no desenvolvimento da lateralidade do que se imagina”, alega Luis Augusto Teixeira, coordenador da pesquisa.

De forma geral, acredita-se que a lateralidade de uma pessoa seja provocada pelos genes. Por esse ponto de vista, um dos hemisférios cerebrais seria mais apto a controlar os movimentos voluntários e, em função dessa predisposição inata, a pessoa se tornaria destra ou canhota. No entanto, Teixeira observou que tanto a preferência pelo uso de uma das mãos quanto o desempenho motor relativo entre as mãos direita e esquerda podem ser facilmente modificados por experiências práticas. Isso tem implicações diretas na formação da lateralidade nos primeiros anos de vida, quando se estabelece a preferência. “O simples fato de a mãe colocar uma colher ou brinquedo sempre em uma das mãos de seu bebê poderia influir na formação de sua lateralidade”, pontua.

Os estudos têm mostrado que, para a grande maioria das ações motoras, a capacidade de aprendizagem é equivalente entre os lados direito e esquerdo do corpo. Por isso, uma vez que alguém se empenhe em praticar alguma atividade usando o lado não dominante pode, após algum tempo, desempenhar as ações praticadas alcançando a mesma eficiência com ambas as mãos.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores pediram a voluntários que fizessem exercícios que consistiam em realizar uma sequência de toques entre os dedos. Um grupo de pessoas fez o exercício com a mão preferida e o outro, com a mão não preferida. “Aqueles que começavam com a mão não dominante achavam que não conseguiriam realizar as tarefas”, conta Teixeira. Porém, a taxa de sucesso entre os dois grupos foi similar. A medição feita no final dos testes mostrou que o desempenho de ambos os grupos dependia muito mais da mão com que praticaram o exercício do que do fato de terem usado a mão preferida ou não.

Outro fator observado foi que uma certa prática leva aos mesmos resultados com os lados dominante e não dominante. Isso significa que, se uma ação é praticada com a mão não preferida, depois de pouco tempo o desempenho se torna melhor com esta mão do que com a mão dominante. “Assim, fica evidente que a plasticidade neural é capaz de, rapidamente, levar a uma vantagem de desempenho com a mão usada durante a prática”, analisa Teixeira. Não existe uma forma especial de prática com o lado não preferido em comparação ao praticado com o lado preferido. É preciso haver uma quantidade mínima de repetições com o propósito de melhorar o desempenho.

Circuitos

No domínio motor, porém, são poucas as ações em que há uma vantagem consistente de desempenho com um dos lados do corpo desde fases iniciais do desenvolvimento. Algo que os cientistas já sabem é que experiências com uma das mãos levam a modificações nos circuitos cerebrais. “Uma parte importante dessas modificações é específica ao hemisfério cerebral contralateral à mão utilizada. Assim, a especialização hemisférica é algo dinâmico, que se altera com as experiências do dia a dia”, explica o coordenador da pesquisa.

É aí que Teixeira sugere que a escolha do lado dominante do corpo pode ser feita por conta de acontecimentos na vida do indivíduo, ou mesmo por influência dos pais. “A criança se espelha nos pais. Se eles são destros oferecem tudo ao bebê com a mão direita. Com isso, a criança acaba tendendo a ser destra também.” Segundo o coordenador, a preferência manual é bastante variável até os 2 anos de idade, sendo bastante suscetível de ser afetada por fatores ambientais.

Então, como explicar os ambidestros? Alex Ribeiro Garcia, 29 anos, jogador do Universo e da Seleção Brasileira de Basquete, é um desses casos raros. Ele chuta com o pé esquerdo e arremessa com a mão esquerda, mas controla melhor a bola com a direita, a preferida também na hora de escrever. “Minha precisão é com a esquerda, mas sou mais confiante com meu lado direito”, diz o jogador, que se considera canhoto.

Para a ciência, no entanto, ele tem o que se chama lateralidade cruzada. “Por algum motivo, ele desenvolveu essa preferência cruzada. O que demonstra que elementos como prática ou algum acontecimento durante a vida tenha definido a ambidestralidade, mesmo que cruzada”, explica Luis Augusto Teixeira. Alex puxa pela memória, mas não sabe dizer o que pode ter definido suas escolhas. “Sou assim desde criança. Mas confesso que o esporte me ajudou a desenvolver essas habilidades que chamam de cruzadas.” Os estudos podem servir de estímulo para atletas treinarem os dois lados do corpo, buscando melhorar sua performance. “O difícil é convencer a pessoa a se empenhar e fazer com que os lados fiquem equiparados”, comenta Teixeira.

Domínio do cérebro

A lateralidade é a capacidade de controlar os dois lados do corpo juntos ou separadamente. Quem comanda essa atividade é o cérebro. Cada um de seus dois lados controla os movimentos da parte oposta do corpo. Assim, a mão e o pé esquerdos, por exemplo, são acionados pelo hemisfério cerebral direito, e vice-versa

A prática

O estudo traz resultados de vários trabalhos e elabora a tese de que a preferência pelo lado direito ou esquerdo não seria um fator genético pré-determinado, mas algo esculpido pelo processo de desenvolvimento motor. Portanto, os dois lados do corpo têm o mesmo potencial nesse desenvolvimento.

Os testes

Uma sequência de toque entre os dedos (movimento de pinça) foi proposta a voluntários. Um grupo fez o exercício com a mão preferida e um outro com a mão não preferida

Resultados

A taxa de sucesso nos dois grupos foi similar. A medição sugeriu que o desempenho dos grupos dependia muito mais da mão com que praticaram o exercício do que do fato de terem usado a mão preferida ou não. A prática foi determinante

Surpresa

Os voluntários que utilizaram a mão não preferida afirmaram que se sentiram mais confiantes fazendo o exercício com aquela mão depois de tentarem com a mão preferida

por Silvia Pacheco

Ser canhoto ou destro é só questão prática, diz pesquisa

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Mas, afinal, o que define se uma pessoa será canhota ou destra? O doutor em psicologia experimental Eduardo José Legal acredita que a causa não tem uma explicação 100% conclusiva. “Não há consenso sobre a origem da lateralidade. Estudos com animais e imagens de crianças na fase pré-natal demonstram que esta característica comportamental tem raízes na herança genética. E como toda característica comportamental, também é construída pela aprendizagem”, analisa.

O neurologista Rafael Pauletti alerta que até hoje ninguém entendeu muito bem o que define o canhotismo. “Se sabe apenas que há relação com a genética.” Há também a hipótese de que nos primeiros anos a criança não tem preferência, e ela acaba sendo treinada pelo ambiente. Isso explicaria porque há mais canhotos em famílias com canhotos. O pai canhoto inconscientemente estaria treinando a mão esquerda do filho. Mas esta teoria também tem seus desvios.

“A aprendizagem, neste caso, faz mais sentido quando observamos o desenvolvimento das habilidades corporais, do que quando observamos a escolha feita pelo sujeito”, explica Eduardo. Segundo ele, aprender a usar outra mão ou outro lado do corpo que não o preferido é algo possível, mas isto não muda o fato de o sujeito ser canhoto ou destro.

Eduardo destaca que o controle cerebral dos movimentos do corpo é realizado de modo inverso. O hemisfério direito rege o lado esquerdo do corpo e vice-versa. A escrita, que é um ato motor, tende a seguir a mesma regra. “Contudo, raros são os casos de assimetria invertida, isto é, os centros cerebrais de controle estarem invertidos. Isto quer dizer que mesmo em um sujeito canhoto, o lado esquerdo do cérebro pode ser o responsável pelo controle da linguagem.”

Alguns estudos têm demonstrado uma relação entre a lateralidade, especificamente o canhotismo, e a criatividade em atividades artísticas e na ciência. Porém, as evidências não são tão claras. Eduardo enfatiza que há exageros e distorções estatísticas. Mas, de qualquer forma, muitas pessoas criativas nestas áreas do conhecimento humano são canhotas. Se suas contribuições foram geradas pelas características cerebrais ou pela história de adaptação da pessoa em um mundo de destros, ninguém tem certeza ainda.

Já o neurologista Rafael Pauletti garante que existe uma explicação lógica para os canhotos serem conhecidos por sua inteligência e criatividade. “Sem notar, o canhoto passa o dia estimulando o hemisfério do cérebro que não é predominante. Isso pode influenciar na velocidade das ações do outro hemisfério, o que desenvolve tanto questões motoras quanto racionais”, explica. Mas os estudos também não são conclusivos porque, segundo esta teoria os destros teriam o hemisfério esquerdo predominante e os canhotos o direito. No entanto, apenas 50% dos canhotos tem, comprovadamente, o hemisfério direito predominante. São as incertezas da ciência.

As explicações científicas não diminuem a incompreensão em relação aos canhotos. Algumas começam na infância, quando a falta de informação faz com que pais, ainda hoje, obriguem a criança canhota a escrever com a mão direita. A atitude pode desencadear problemas de aprendizagem, como escrita mais lenta e até problemas para ler e se expressar, garantem os especialistas.

Por outro lado, em atividades como o esporte por exemplo, ser canhoto é bem vantajoso, já que poucos adversários estão preparados para lidar com alguém habilidoso com a mão ou com a perna esquerda. O jogador Roberto Carlos, que jogou muito tempo na Seleção Brasileira ficou conhecido pelos fortes chutes com o pé esquerdo.

Na copa de 1970, o jogador Gérson se destacou como o “canhotinha de ouro”. Em 1994, Branco ajudou a seleção a conquistar a copa com um chute de esquerda. E em pesquisas na internet é comum que os sites apontem Pelé e Romário como canhotos. Mas quem entende de futebol garante que eles são destros.

Incertezas da ciência – A Notícia

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por Silvia Pacheco

Canhoto ou destro: pesquisa indica que a influência das experiências ao longo da vida pode ser maior do que se imaginava

Ser destro ou canhoto pode ser apenas uma questão de prática, não sendo a genética tão determinante assim na definição de qual mão utilizamos para escrever ou que pé usamos para chutar uma bola, por exemplo. A afirmação pode parecer estranha, mas é o que sugerem trabalhos realizados pelo Laboratório de Sistemas Motores Humanos da Escola de Educação Física e Esportes da Universidade de São Paulo (EEFE/USP), que deram origem à pesquisa Lateralidade e comportamento motor. Os resultados do estudo demonstram que essa preferência é provocada pelo processo do desenvolvimento motor. “Nossa suposição é que as experiências motoras com cada uma das mãos têm importância muito maior no desenvolvimento da lateralidade do que se imagina”, alega Luis Augusto Teixeira, coordenador da pesquisa.

De forma geral, acredita-se que a lateralidade de uma pessoa seja provocada pelos genes. Por esse ponto de vista, um dos hemisférios cerebrais seria mais apto a controlar os movimentos voluntários e, em função dessa predisposição inata, a pessoa se tornaria destra ou canhota. No entanto, Teixeira observou que tanto a preferência pelo uso de uma das mãos quanto o desempenho motor relativo entre as mãos direita e esquerda podem ser facilmente modificados por experiências práticas. Isso tem implicações diretas na formação da lateralidade nos primeiros anos de vida, quando se estabelece a preferência. “O simples fato de a mãe colocar uma colher ou brinquedo sempre em uma das mãos de seu bebê poderia influir na formação de sua lateralidade”, pontua.

Os estudos têm mostrado que, para a grande maioria das ações motoras, a capacidade de aprendizagem é equivalente entre os lados direito e esquerdo do corpo. Por isso, uma vez que alguém se empenhe em praticar alguma atividade usando o lado não dominante pode, após algum tempo, desempenhar as ações praticadas alcançando a mesma eficiência com ambas as mãos.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores pediram a voluntários que fizessem exercícios que consistiam em realizar uma sequência de toques entre os dedos. Um grupo de pessoas fez o exercício com a mão preferida e o outro, com a mão não preferida. “Aqueles que começavam com a mão não dominante achavam que não conseguiriam realizar as tarefas”, conta Teixeira. Porém, a taxa de sucesso entre os dois grupos foi similar. A medição feita no final dos testes mostrou que o desempenho de ambos os grupos dependia muito mais da mão com que praticaram o exercício do que do fato de terem usado a mão preferida ou não.

Outro fator observado foi que uma certa prática leva aos mesmos resultados com os lados dominante e não dominante. Isso significa que, se uma ação é praticada com a mão não preferida, depois de pouco tempo o desempenho se torna melhor com esta mão do que com a mão dominante. “Assim, fica evidente que a plasticidade neural é capaz de, rapidamente, levar a uma vantagem de desempenho com a mão usada durante a prática”, analisa Teixeira. Não existe uma forma especial de prática com o lado não preferido em comparação ao praticado com o lado preferido. É preciso haver uma quantidade mínima de repetições com o propósito de melhorar o desempenho.

Circuitos

No domínio motor, porém, são poucas as ações em que há uma vantagem consistente de desempenho com um dos lados do corpo desde fases iniciais do desenvolvimento. Algo que os cientistas já sabem é que experiências com uma das mãos levam a modificações nos circuitos cerebrais. “Uma parte importante dessas modificações é específica ao hemisfério cerebral contralateral à mão utilizada. Assim, a especialização hemisférica é algo dinâmico, que se altera com as experiências do dia a dia”, explica o coordenador da pesquisa.

É aí que Teixeira sugere que a escolha do lado dominante do corpo pode ser feita por conta de acontecimentos na vida do indivíduo, ou mesmo por influência dos pais. “A criança se espelha nos pais. Se eles são destros oferecem tudo ao bebê com a mão direita. Com isso, a criança acaba tendendo a ser destra também.” Segundo o coordenador, a preferência manual é bastante variável até os 2 anos de idade, sendo bastante suscetível de ser afetada por fatores ambientais.

Então, como explicar os ambidestros? Alex Ribeiro Garcia, 29 anos, jogador do Universo e da Seleção Brasileira de Basquete, é um desses casos raros. Ele chuta com o pé esquerdo e arremessa com a mão esquerda, mas controla melhor a bola com a direita, a preferida também na hora de escrever. “Minha precisão é com a esquerda, mas sou mais confiante com meu lado direito”, diz o jogador, que se considera canhoto.

Para a ciência, no entanto, ele tem o que se chama lateralidade cruzada. “Por algum motivo, ele desenvolveu essa preferência cruzada. O que demonstra que elementos como prática ou algum acontecimento durante a vida tenha definido a ambidestralidade, mesmo que cruzada”, explica Luis Augusto Teixeira. Alex puxa pela memória, mas não sabe dizer o que pode ter definido suas escolhas. “Sou assim desde criança. Mas confesso que o esporte me ajudou a desenvolver essas habilidades que chamam de cruzadas.” Os estudos podem servir de estímulo para atletas treinarem os dois lados do corpo, buscando melhorar sua performance. “O difícil é convencer a pessoa a se empenhar e fazer com que os lados fiquem equiparados”, comenta Teixeira.

Domínio do cérebro

A lateralidade é a capacidade de controlar os dois lados do corpo juntos ou separadamente. Quem comanda essa atividade é o cérebro. Cada um de seus dois lados controla os movimentos da parte oposta do corpo. Assim, a mão e o pé esquerdos, por exemplo, são acionados pelo hemisfério cerebral direito, e vice-versa.

A prática

O estudo traz resultados de vários trabalhos e elabora a tese de que a preferência pelo lado direito ou esquerdo não seria um fator genético pré-determinado, mas algo esculpido pelo processo de desenvolvimento motor. Portanto, os dois lados do corpo têm o mesmo potencial nesse desenvolvimento.

Os testes

Uma sequência de toque entre os dedos (movimento de pinça) foi proposta a voluntários. Um grupo fez o exercício com a mão preferida e um outro com a mão não preferida.

Resultados

A taxa de sucesso nos dois grupos foi similar. A medição sugeriu que o desempenho dos grupos dependia muito mais da mão com que praticaram o exercício do que do fato de terem usado a mão preferida ou não. A prática foi determinante.

Surpresa

Os voluntários que utilizaram a mão não preferida afirmaram que se sentiram mais confiantes fazendo o exercício com aquela mão depois de tentarem com a mão preferida.

Ser canhoto ou destro é só questão prática, diz pesquisa – Silvia Pacheco

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Durante séculos, a utilização da mão esquerda foi associada à falta de habilidade e até à presença de seguidores do demônio na Terra

Para azar dos canhotos, em quase todas as culturas, o lado esquerdo sempre foi associado a todo tipo de coisa ruim. Já o que havia de bom ficava sempre à direita. Acrescendo-se o fato de os canhotos serem uma minoria, estava pronta a receita para a discriminação e para a perseguição por séculos. Os antigos gregos e romanos tinham o lado esquerdo como inferior e profano. No Corão e na Bíblia cristã, os favoritos de Deus ficam sempre à direita. Por mais de mil anos, a Igreja Católica sustentou que ser canhoto era um sinal do diabo identificando os seus seguidores na Terra. Os muçulmanos proíbem tocar suas sagradas escrituras com a mão esquerda.

Mas nem seria preciso saber disso para ter a dimensão negativa do termo. Basta prestar atenção nas palavras destro e canhoto. O dicionário não perdoa: em português, ser canhoto também significa inábil, desajeitado e desastroso. Enquanto destro é usado também para qualificar alguém que tem destreza, habilidade e agilidade. Em francês, o adjetivo gauche pode servir para chamar alguém de incapaz.

Com todo esse peso cultural sobre as costas, não parece tão bizarro que pais do século passado tenham tentado “salvar” seus filhos. Colocava-se a mão esquerda para trás, às vezes amarrada, e insistia-se para que o filho desenhasse e escrevesse com a direita. No colégio, eram comuns castigos. Hoje, esses fatos arrepiam especialistas e educadores, ainda mais os próprios pais. Eles sequer cogitam estimular uma criança canhota a usar a mão direita. Simplesmente, isso não deve ser feito, garantem.

Uma rápida pesquisa na internet mostra muitas comunidades de canhotos que respondem aos séculos de difamação. A primeira coisa que repelem é a pecha de pobreza intelectual associada ao lado esquerdo. Nesse quesito, não perdoam os destros: Albert Einstein era canhoto. Poderiam parar por aí, mas insistem. A lista de pessoas com mais habilidade com a mão esquerda passa por Isaac Newton, Mozart e, considerado por muitos à altura, Bill Gates.

Mas também é errado imaginar que esse é o passaporte para uma inteligência fora do normal. O neurologista André Palmini explica que a única certeza é que os canhotos têm a habilidade manual controlada pelo lado direito do cérebro. Isso não significa que todo esse hemisfério é mais desenvolvido.

– Não quer dizer que o cérebro é diferente, melhor. O que pode é haver uma distribuição das funções entre os hemisférios que não ocorreria no indivíduo destro. O certo é que um canhoto tem um cérebro muito melhor do que teria se fosse forçado a escrever com a mão direita – diz Palmini.

Mas o que era uma maldição no passado pode acabar sendo motivo de inveja se um ramo de pesquisa avançar. Segundo o neurologista, estudos hoje em desenvolvimento tratam da possibilidade de o indivíduo canhoto ter mais plasticidade cerebral – a adaptação de partes do cérebro para executar a função de outras. Esse arranjo seria benéfico no caso de um trauma cerebral, evitando a perda de funções.

O mito do chute mais forte

Se olharmos no dicionário, ser canhoto significa ter mais habilidade com a mão esquerda. Mas a classificação passa longe de esportes como o futebol. Dentro de campo, canhoto é quem usa a perna esquerda para chutar. Rivelino (acima, à esquerda) e Maradona (D) foram dois exemplos disso.

Segundo o neurologista Jefferson Fernandes, da PUCRS, também vale a determinância genética para o esquerdo da cintura para baixo. Muitas vezes, existe um comando em X: o hemisfério esquerdo controla a habilidade manual (destro) enquanto o direito comanda a agilidade das pernas (canhoto).

Popularmente, criou-se o mito de que jogadores canhotos batem mais forte do que os destros. A neuropsicóloga Mirna Portuguez afirma que isso não existe: as duas pernas, dependendo da musculatura desenvolvida, podem ter a mesma força. O tricampeão mundial Gérson, conhecido como “canhotinha de ouro”, defende a categoria:

– Todo canhoto no futebol se destaca. Ele tem de ser mais inteligente porque faz tudo na contramão. Tem de pensar e ser mais rápido – disse certa vez quando perguntado sobre o assunto.

O que diz a ciência

Inúmeros estudos já estabeleceram relações entre canhotos e as mais variadas características e habilidades. Conheça alguns deles:

Memória

> Canhotos e membros de uma família com grande incidência de canhotos tendem a se sair melhor lembrando eventos (detalhes de uma festa de aniversário ou de um jogo de futebol ocorridos há muito tempo, por exemplo), as chamadas memórias episódicas, do que fatos simples (memórias incidentais, coisas que você aprendeu ao acaso, como o nome do diretor de um filme assistido na semana anterior, a moeda do Japão, onde fica a Torre Eiffel), conhecidas como não-episódicas. O estudo da Universidade de Toledo, em Ohio (EUA), foi publicado na revista Neuropsychology.

Uma minoria discriminada – Zero Hora

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Marcela Munhoz
Do Diário do Grande ABC

Foi-se o tempo em que o canhoto era considerado desajeitado e tinha dificuldade para realizar tarefas. Hoje, quem tem mais habilidade com o lado esquerdo também consegue fazer tudo o que o destro faz, já que há objetos específicos para ele.

Os especialistas consideram canhoto quem escreve e pratica atividades espontâneas, como pentear o cabelo e escovar os dentes, com a mão esquerda. É manifestado aos poucos, tanto que as mães logo percebem essa característica do filho nos primeiros anos.

Embora alguns ainda se compliquem na hora de usar certos objetos, todos garantem que são melhores em habilidades específicas, como no esporte. “Minha perna mais forte é a esquerda. A dos meus amigos é a direita”, diz Gustavo Duarte Tsuha, 5 anos, de Santo André.

Chutar forte com a esquerda pode surpreender o goleiro durante um pênalti e faz a diferença na hora de driblar o adversário. Quem curte futebol admira a jogada feita por um canhoto.

Apesar de escrever com a mão direita, Martin Giugliano Reiser, 12 anos, São Bernardo, desenvolveu grande habilidade com a perna esquerda quando começou a jogar futebol, há 8 anos. “Não escolhi, aconteceu.” Ele faz todas as outras coisas com a mão direita. “No futebol é importante usar a canhota. Todos os times precisam de um jogador assim.”

O espanhol Rafael Nadal, atual campeão de Winbledon, o maior torneio de tênis do planeta, é destro, mas foi treinado desde criança a jogar com a mão esquerda. Essa tática foi usada porque a maioria dos jogadores usa a mão direita. Com isso, o jogo contra um canhoto se torna mais difícil.

Apesar das vantagens, há esportes em que é proibido usar a mão esquerda, como o polo, jogo em que o esportista utiliza um taco para bater numa bola e marcar gols. Tem de fazer tudo isso em cima de um cavalo.

No passado o canhoto enfrentava preconceito. Muitos professores o obrigavam a escrever com a direita. Hoje não é mais assim: cada um deve ser respeitado como é.

Objetos diferenciados – A maior reclamação dos canhotos é na hora de usar alguns objetos feitos para os destros, como tesoura, mouse, maçaneta. Antigamente era ainda mais complicado. Hoje, muitos produtos têm a versão canhota, como os que são vendidos pelo site http://www.mundocanhoto.com

Pedro Olionis Hirsch, 8 anos, de Santo André, precisou se adaptar a usar tesoura comum e abrir a latinha de refrigerante. “Atrapalha um pouco”, fala. Para Dafne Denoni, 9 anos, o que mais complica é na hora de abrir a maçaneta da porta. “Tenho de parar, pensar e abrir com a mão direita. De resto, faço tudo com a esquerdal”, conta a menina, que não vê problema nenhum em ser canhota. “Até gosto, é diferente.”

Henry Ferrari, 6, tem um jeito prático para usar o mouse do computador. Ele muda o acessório de lado. “Só assim consigo mexer.” Muito observador, Henry já reparou que a irmãzinha de 1 ano segue pelo mesmo caminho. “Ela só pega as coisas com a mão esquerda. Tenho certeza que é canhota.”

Fonte: Canhoto numa boa – Diário do Grande ABC

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