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Archive for dezembro \29\UTC 2007

Caramujos cujas conchas têm abertura virada para a esquerda conseguem escapar do assédio do caranguejo, o maior predador de sua espécie, segundo estudo feito nos Estados Unidos e publicado no jornal Biology Letters.

Os cientistas americanos descobriram que o caranguejo não consegue abrir suas conchas porque não possuem um mecanismo natural para isso.

“Eles possuem uma espécie de abridor de latas na pata direita”, disse Gregory Dietl, pesquisador da Universidade de Yale.

“Imagine tentar usar um abridor de latas destro com sua mão esquerda. É bem difícil.”

Dúvida

Os pesquisadores observaram fósseis de animais que viveram entre 1,5 e 2,5 milhões de anos atrás.

Mais de 90% dos caramujos destros apresentam cicatrizes deixadas por seus predadores, o que não acontece com os canhotos.

O que não ficou explicado para os pesquisadores é porque os caramujos com a concha virada para a esquerda, mesmo tendo essa vantagem, estão presentes em número bem menor na natureza do que os que têm a concha aberta para a direita.

Uma possibilidade é que este tipo de caramujo não encontre parceiros com facilidade e tenha então dificuldades para se reproduzir.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/03/060322_caracolcanhotorc.shtml

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Ser canhoto

Ser Canhoto

Segundo as estatísticas mundiais, cerca de dez por cento dos seres humanos são canhotos, mais homens que mulheres. Ser canhoto é, então, a exceção; é pagar um preço às vezes alto e não raro injusto.
A triste verdade é que o “canhotismo” ou “sinistrismo” está associado a preconceitos ou sentidos pejorativos. Se não, vejamos: por definição, a mão direita é destra; a esquerda é sinistra, e seu proprietário, se for do sexo masculino, é, portanto, “sinistrômano” ou “sinistro”.
Ora, “sinistro” pode ter estes sinônimos bem desagradáveis: “funesto, infausto, fatal, fatídico, perverso, pernicioso, assustador, ameaçador, medonho”. Em certas circunstâncias, traduz “desastre, incêndio, naufrágio, infortúnio, ruína, prejuízo, dano, contrariedade, desgosto, contratempo”. Em outras, pode ser visto como “errado ou errada, esquerdo ou esquerda. São óbvias, pois, as aparentes desvantagens de ser canhoto ou canhota. No mínimo, porque ser destro ou destra supõe ser “normal, correto ou correta, direito ou direita, certo ou certa”.
É comum entre as pessoas esse vício conceitual, profundamente discriminatório. Mas haverá real desvantagem? Depende do ponto de vista. Leonardo DaVinci, que escrevia da direita para a esquerda – em sua chamada ‘caligrafia de espelho’ – era canhoto. Albert Einstein também. Assim como os não menos famosos Alexandre, ‘o Grande’, Friedrich Nietzsche, Isaac Newton, Ludwig von Beethoven, Machado de Assis, Pablo Picasso, Abraham Lincoln, Napoleão Bonaparte, Charles Chaplin, Mahatma Gandhi, Bill Clinton e Bill Gates. No futebol, os jogadores Rivelino, Gerson e Maradona foram canhotos de não menos nomeada. Em minha cidade, Floripa, convivi com um escultor já falecido, que, além de ser canhoto como o genial Michelangelo Buonarotti, parecia-se fisicamente com ele. Seu nome era Dimas Rosa. Airton Senna, outro glorioso brasileiro, era canhoto. E, em nosso meio, vale lembrar o ilustre médico Murillo Ronald Capella, um dos pioneiros da cirurgia pediátrica nacional. E nas diversas prendas domésticas, minha sogra esbanjava talentos com a mão esquerda.
Ocorre-me, ainda, o fato incontestável de que a célebre e já popular molécula do DNA gira sua espiral no sentido da esquerda, o que confere aos canhotos um prestígio quase privativo, pois os homenageia no âmago da própria biologia…
Assim sendo, os canhotos podem ser uma minoria prejudicada no dia-a-dia de suas vidas, mas estão representados por uma nobre galeria de figuras incomuns. Diz-se até que são mais hábeis em trabalhos manuais. Os escultores citados são indício inconteste dessa afirmativa.
Idéias estereotipadas, da mesma forma, pairam em expressões de uso trivial, tais como, “entrar com o pé direito” e, em contrapartida, “levantar com o pé esquerdo”. Frases bíblicas aludem a discriminações como “Cristo estar sentado à direita de seu pai”. Ou a palavra inglesa “right” significar “direito, certo ou correto”. No francês, o termo “gauche” (esquerdo ou esquerda), em sentido figurado, traduz-se por “inepto, inábil, desajeitado”.
Todavia, existem canhotos ambidestros ou que têm dupla lateralidade. O citado cirurgião, por sinal, escreve no papel com a mão esquerda e no quadro-negro com a direita. Certos futebolistas chutam com os dois pés e com igual precisão. Garrincha, Pelé, Zico e Roberto Dinamite foram quatro genuínos embaixadores desta máxima.
Um dos maiores desafios impostos aos canhotos da geração de meus pais era cortar unhas. Não havia meios de fazê-lo à perfeição, em particular as do pé, se a tesoura – ferramenta inadequada – era projetada só para os destros. Diante disso, sempre rendi meu mudo aplauso ao gênio que projetou o moderno cortador-de-unhas, utensílio consagrado por destros e sinistros… Dizem que ficou rico só com isso, e se ficou, fez por merecê-lo…
E o que dizer das carteiras em salas de aula? Conhecem escola brasileira que as ofereça, com desenho adequado e em número suficiente, aos alunos “sinistros”? Por fim, não esqueçamos o inevitável “choque-de-asas” que surge invariavelmente quando, num jantar com numerosos comensais, um canhoto – que maneja a faca somente com a mão esquerda – senta-se à direita de um “destro”. Em tal circunstância, só resta ao mestre-de-cerimônia uma saída: mandar o desventurado “gauche” para a ‘ponta-esquerda’…
Segundo li, a Inglaterra é o país que mais prestigia essa casta minoritária. Lá, nossos simpáticos “excepcionais” deparam com a mais diversificada gama de apetrechos concebidos em seu exclusivo interesse. Entre esses, ferramentas e instrumentos com empunhadura invertida, voltados aos canhotos praticantes de cirurgia médico-odontológica, marceneiros, mecânicos, barbeiros, manicures, calistas e quejandos – além de abridores de lata e tesouras de todos os tipos, modelos e tamanhos.
E como “o Brasil atual tem coisas mais importantes com que se preocupar…”, a alternativa dos sinistros tupiniquins é importar seu ferramental em libras esterlinas.
Fazer o quê…?

Mario Gentil Costa
magenco@terra.com.br

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