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Archive for outubro \06\UTC 2009

Ainda há algumas dúvidas sobre o fato do canhotismo ser hereditário, entretanto, não está claro até que ponto este efeito pode ser causa do ambiente externo (acidental ou propositadamente vindo dos pais que ensinam as crianças serem destras ou canhotas). Porém, o estudo em adoções sugere que a preferência de mão esteja ligada ao controle genético. A preferência de mão das crianças adotadas tende mais a seguir a dos pais genéticos do que a dos pais adotivos (veja Carter-Saltzman, 1980). Para modelos genéticos da preferência de mão, consulte McManus (1985), Annett (1985), ou Klar, (1996).
Ao procurar informação na Internet sobre a genética da preferência de mão, o leitor normalmente encontrará as seguintes estatísticas: Se ambos os pais de uma criança forem destros, as chances da criança ser canhota é de 2%. Este dado sobe para 17% no caso de um pai canhoto, e salta para 50% se ambos forem canhotos. A fonte destes dados raramente tem (se nunca) referências, mas eles podem ter sido retirados um livro francês Hécaen e Ajuriaguerra (1963). Mais recentemente, uma meta-análise (combinando os resultados de MUITOS estudos de preferência familiar de mão) feita por McManus & Bryden (1992) conclui que dois pais destros obtiveram uma chance de 9,5% de ter uma criança canhota. As chances sobem para 19.5% no caso de um pai canhoto (e este efeito parece estar dirigido principalmente por mães canhotas), e 26.1% das crianças de dois os pais canhotos também são canhotos. Então, os dados mais comumente citados subestimam a prevalência do canhotismo de dois pais destros, ligeiramente subestimam o caso onde um pai canhoto, e totalmente superestimam a prevalência de crianças canhotas quando ambos os pais forem canhotos.
A evidência mais comumente citada é que a preferência de mão tem um componente genético que é o caso do clã Kerr, famoso na Escócia, o qual era principalmente formado por canhotos (por isso a expressão ” Kerr-deu”). Na realidade, os Kerrs construiram as escadarias de seus castelos de forma que espiralavam em sentido horário, deixando mais fácil de se defender com o espadachim para canhoto. Mais recentemente, uma pesquisa de 1974 (feito pela Faculdade Real de Médicos Gerais) em indivíduos com o sobrenome Kerr/Carr achou uma prevalência alta de canhotismo, porém, este efeito pode ter sido influenciado pesadamente através de preconceitos na resposta. Em outras palavras, ser canhoto pode ter sido uma resposta muito mais provável à pesquisa, já que a hipótese do estudo era transparente e a seleção dos participantes não era fortuita. Um estudo subseqüente que controlou esses preconceitos não achou nenhum aumento de canhotos entre os Kerrs/Carrs (Shaw e McManus, 1993). O fato que muitos na família Real de Inglaterra foram canhotos (o Rei George II, Rei George VI, Rainha Victoria, a Rainha Mãe Elizabeth, e Príncipe Charles) também é citado freqüentemente como evidência de envolvimento genético.

Algumas das mais estranhas evidências genéticas são apresentadas por DeKay (1994) que reivindica uma associação entre cabelo loiro e o canhotismo, sugerindo um componente genético a preferência de mão. Schachter, Ransil, e Geschwind (1987) afirmam que há uma associação entre a preferência de mão, a cor do cabelo e a cor olho, mas a metodologia estatística deles no estudo provocou uma crítica considerável. Estudos subseqüentes não descobriram nenhuma associação significante entre preferência de mão e a cor do cabelo ou do olho (Bryden & McManus, 1992). DeKay (1994) não mencionou o estudo de Schachter et al. (1987), mas o elegeu bastante para apoiar esta reivindicação nomeando quatro loiras canhotas, as atrizes; Goldie Hawn, Betty Grable, Kim Novak, e Marilyn Monroe. Marilyn Monroe (ou pelo menos a Norma Jean Baker) era uma morena que tingiu o cabelo de loiro.

Fonte: Genética x canhotismo

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por Jefferson Cassiano*

Meu pai é canhoto. Quando eu era catatau, gostava de vê-lo exercendo suas habilidades de mecânico profissional e pedreiro amador com ferramentas todas desenhadas para destros. Mesmo com as chaves de boca, os esquadros e as furadeiras sendo claramente partidárias dos destros, as obras na casa da minha infância nunca deixaram de ser feitas. É fato: um canhoto vive “direitinho” no mundo construído para destros.
Eu sou destro, mas de tanto ver meu pai segurar a caneta de um jeito diferente, escrevo usando a mão direita com jeitão de canhoto, punho flexionado para dentro e um certo vacilo no ato. Dizem que o canhotismo é genético, mas não sei se isso significa que é hereditário. Sendo, os genes de meu pai perderam a guerra e minhas irmãs também não são canhotas. É fato: não sendo canhoto, escapamos de levar tapas na mão esquerda quando estávamos no primário, castigo que vi muitos coleguinhas sofrendo nas décadas de 1970 e 1980.
Se, como provou meu pai, os canhotos se adaptam ao nosso mundo, está tudo resolvido, não há o que polemizar. Tudo bem que essa é a maneira de um destro encerrar o assunto e seguir assistindo ao jogo do Curintia contra o Bacalhau, admirando a finta a la Garrincha que o Fenômeno, ambidestro (o que é isso? Com duas direitas?), deu no Touro Sentado vascaíno. Fosse eu um canhoto, usaria esse espaço para protestar, como bom homem de esquerda que eu seria. Quem foi que disse que o certo é o direito?
Essa história tem História. Há indícios de que, desde que o homem começou a usar a linguagem falada para se comunicar, existe uma prevalência do direito sobre o esquerdo. Nas principais línguas modernas, o vocábulo usado para designar o lado direito ainda sustenta uma carga semântica sempre associada à idéia de correção, de bem, de legalidade. Em português, espanhol, inglês, italiano e francês, a palavra que define o lado contrário ao esquerdo é, também, usada para o que é legal, o que obedece à ordem, o que é “de direito”. Já o que é esquerdo, também é sinistro em italiano e no português mais arcaico; sinistro, em diversas línguas neolatinas, tem um peso negativo, até assustador. Em inglês, esquerdo é left, usado ainda como particípio do verbo to leave, com freqüência sinônimo de abandonar, sair, escapar. Em francês, é gauche, palavra usada para definir pessoas sem jeito, fora do eixo, desajustadas, inaptas.
Na política, o binômio esquerda-direita surge exatamente na França do Antigo Regime. Os membros do Terceiro Estado – nem padres, nem nobres – ocupavam, no Parlamento, um lugar à esquerda do rei. O clero e a aristocracia estavam sempre à direita. A resistência à manutenção do Antigo Regime vinha, quase sempre, dos integrantes da esquerda, enquanto as anuências ficavam mais à direita. O Terceiro Estado era formado por trabalhadores urbanos, camponeses e pela burguesia. Era o novo que buscava espaço, tentava subverter a ordem. Chegando depois de a “festa” começar, ficava à esquerda do rei, pois ficar à direita equivalia a estar à direita do Pai, honra guardada para os homens santos e/ou de sangue azul. Jesus está à direita do Todo-Poderoso; o diabo está à esquerda e da sua benção com a mão…esquerda.
Quem nunca acordou mal, com o “pé esquerdo”, ou desejou a um amigo que começasse o ano bem, com o “pé direito”? Posso parar por aqui? Não preciso dizer que, na Idade Média, canhotos eram queimados vivos por serem filhos do Coisarruim? Então está direito…ops. Já estamos convencidos que vivemos num mundo de destros e que por mais que a ciência possa relacionar essa preferência com os movimentos de rotação e translação da Terra, o resultado prático disso, poucas melhoras a parte, é que nós, 90 % de destros, pouco ligamos para os canhotos.
O que me faz pensar que também não nos colocamos no lugar de qualquer um que seja diferente de nós: palestinos, judeus, palmeirenses, diabéticos, milionários, miseráveis, poetas, obesos, magríssimos, vaidosos, padres, prostitutas, negros, amarelos, tricolores… Qualquer um que ameaça o nosso conforto, a nossa direita segura (mantenha a direita!), não merece nossa capacidade de empatia, de sentir o que o outro sente. Se eu fizesse a pergunta: você tem preconceito em relação aos canhotos? A sua resposta seria negativa. Quem é que tem preconceito contra canhotos? Ninguém. O que se tem em relação a canhotos, palestinos, judeus, palmeirenses, diabéticos, milionários, miseráveis, poetas, obesos, magríssimos, vaidosos, padres, prostitutas, negros, amarelos, tricolores, quase sempre, é uma total indiferença. Para os destros, todo os tipos de destro, a indiferença é melhor que o preconceito. Para os canhotos, todos os tipos de canhotos, a indiferença é a fogueira reeditada. Pense canhoto.

* Publicitário e professor de língua portuguesa. Tem um pé esquerdo cego, mas, sem ele, desaba.

Fonte: Pense canhoto – Jefferson Cassiano

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Nosso cérebro é formado basicamente por dois hemisférios: o direito e o esquerdo. Um hemisfério é dito dominante quando este comanda a linguagem. Mais de 90% das pessoas são destras, e nestas, a dominância está no hemisfério esquerdo em mais de 95% dos casos.

Nos canhotos, a dominância do hemisfério esquerdo ocorre em 70% das pessoas. Em metade dos canhotos restantes, a linguagem é controlada pelo hemisfério direito. A outra metade não mostra assimetria, sendo a linguagem controlada igualmente pelos dois hemisférios.

Seria o canhotismo patológico? Culturalmente, sempre foi tratado como tal. E eles sofrem em um ”mundo direito”, em que praticamente tudo é voltado para os destros. Porém, não se sabe realmente o porquê das pessoas serem destras ou canhotas. Existe uma certa tendência genética. Se um dos pais for canhoto, há 15% de chances de um dos filhos ser canhoto. Sabe-se que a mão predominante já está definida na gestação, quando a maioria dos bebês começa a exibir uma preferência nítida por chupar o polegar direito (ou o esquerdo, no caso dos canhotos).

Há estudos que mostram que os canhotos seriam mais criativos e poderiam ter uma ligeira vantagem nos esportes, jogos e outras atividades nas quais os jogadores enfrentam grande volume de estímulos, lançados simultaneamente, ou em rápida sucessão. Teoricamente, eles poderiam usar mais facilmente ambos os hemisférios do cérebro para gerenciar esses estímulos, resultando em processamento e tempo de resposta mais rápidos.

Flávio Henrique Bobroff da Rocha, neurologista

Fonte: Como funciona o cérebro dos canhotos?

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Habilidade da criança com a mão esquerda ou direita revela um pouco sobre seu perfil na escola

Seu filho é canhoto ou destro? Saiba que a habilidade dele com a mão direita ou esquerda pode revelar um pouco sobre seu comportamento escolar. Um estudo realizado por uma empresa alemã de materiais de escrita, com 2.000 crianças entre 7 e 11 anos, mostrou que os canhotos são mais propensos a gostar da escola e ter um relacionamento mais próximo com os professores, além de se destacarem em aulas de arte e música.

Porém, quando se trata de lição de casa e de escrever, são os destros que se saem melhor. De acordo com a pesquisa, mais de 30% deles entregam as tarefas no tempo certo e bem-feitas e 57% deles dizem que adoram escrever.

Enquanto esse estudo mostra até um equilíbrio entre destros e canhotos em relação à escola, o fato é que o cotidiano de quem tem habilidade com a mão esquerda é um pouco mais complicado, porque o mundo é dos destros, apesar de estimativas apontarem que quase 10% da população seja canhota.

Pesquisa feita no início dos anos 90 revelou que filhos de pais destros têm 9,5% de chance de ser canhotos. Mas, quando o pai ou a mãe é canhoto, a possibilidade sobe para 19,5%. Outro dado concreto é que a dominância é mais forte nas mãos, porque elas exigem atividades mais sofisticadas, ou finas, como a escrita. Essa “facilidade” com o lado esquerdo aparece logo no primeiro ano de vida. Segundo Raquel Caruso, psicomotricista, psicopedagoga e fonoaudióloga, a criança escolhe uma mão para conhecer o mundo. “Ela apalpa os objetos, tenta pegar alguma coisa, faz os primeiros rabiscos no papel”, diz. Mas a confirmação real virá em torno dos 6 anos, quando a criança começa a ser alfabetizada.

Cinco formas de facilitar a vida do canhoto

1 – Se você notou que seu filho pequeno tem tendência a ser canhoto, avise a escola para que os educadores o ajudem nessa descoberta.

2 – Caso a criança esteja sendo alfabetizada, converse com a escola para que seja providenciada uma carteira adequada.

3 – Não “corrija” a criança mudando os objetos da mão esquerda para a direita. Senão ela pode ter dificuldade de aprendizado.

4 – Mesmo com poucas ofertas, compre o que for desenvolvido para ele. Alguns cuidados melhoram o desempenho escolar dessa garotada.

5 – Para manter bem a autoestima do filho, invente histórias de reis, rainhas, heróis e heroínas canhotos.

Fonte: Canhotos têm propensão à arte e destro é pontual: veja estudo – Blog do Helio Leite

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