Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Textos’ Category

Considerado o maior artista alemão da Renascença – Albrecht Dürer, utilizou-se de vários meios de expressão, ficando conhecido pelas delicadas aquarelas da vida animal e vegetal, mas não somente por esses trabalhos; suas xilogravuras expressam dramaticidade e as elaboradas gravuras em metal religiosos, as quais ainda em vida lhe deram fama internacional.

Misturando em sua arte tradições nórdicas e meridionais, sua arte é profundamente influenciada pela pintura veneziana.
Homem independente, orgulhoso de sua aparência física e de seu talento, Albrecht Dürer era um homem de rara inteligência e cultura, mantinha um relacionamento com humanistas e eruditos e, entre clientes de expressão incluía-se o Imperador Maximiliano I.

Foi persuadido em seus últimos anos de vida pela Reforma luterana, demonstrando assim uma profunda religiosidade.
Entre 1525 e 1528, Dürer edita suas obras teóricas sobre a representação artística da natureza e do homem – e esses problemas jamais deixaram de acompanhá-lo em sua trajetória de criação. Mas sua riqueza e flexibilidade expressas em seu talento permitiram-lhe, a qualquer momento, retomar as suas preocupações de ordem espirituais. Foi um participante ativo da Reforma de Lutero, pçintando em 1526 Os Apóstolos João, Pedro, Paulo e Marcos, doando o trabalho ao Conselho de Nuremberg. Faz contar um texto na parte inferior das pinturas, causando polêmicas religiosas, uma advertência contra os falsos profetas. Neste momento sua obra toma-se num aspecto de manifesto de propaganda e traduz plenamente o seu engajamento. Dando visível intenção nas quatro figuras gigantes, que preenchem todo o espaço dos painéis e exprimem de maneira dramática sua religiosidade.

“Só uma mente árida não possui autoconfiança para encontrar o caminho de algo que está além, arrastando-se por alguma trilha gasta, contente de imitar os outros e sem a iniciativa de pensar em si mesma”. São suas essas palavras, e com um espírito indagador e insaciável curiosidade sua obra é a melhor expressão dessa curiosidade e desse espírito indagador que o impulsionam.

Espírito incansável que o levou a posição de primeiro mestre da Renascença alemã. Da oficina paterna em Nuremberg, impregnada de tradição medieval, para conquistar esta posição privilegiada de mestre dos mestres.
Albrechr Dürer tinha em sua arte um profundo enraizamento da tradição nórdica a qual expressa durante suas visitas à Itália e com o Renascimento.

Seu primeiro trabalho foi publicado em 1498, as ilustrações para O Apocalipse de São João, logo após ter regressado da Itália, demonstrando, simultaneamente, aquilo que fazia dele um novo modelo de artista do norte alpino e aquilo que ainda o ligava às formas antigas: em O Apocalipse exaltou o fantástico sem se desligar do real. As visões aterrorizantes do fim do mundo eram correntes na época, e muitos mantinham a crença que tudo terminaria no ano de 1500, a doença, a guerra e o turbilhão que envolviam a Europa encontravam expressão em suas imagens violentas e vibrantes.
Somente Rembrandt (1606-1669) teria se igualado a sua maestria como gravador.

A técnica da xilogravura já era popular na Alemanha, mas sendo utilizada por Albrecht Dürer atingiu uma nova dimensão expressiva. Utilizava-se de uma chapa fina de madeira para traçar seus desenhos depois entalhada por artesãos; as partes salientes recebiam uma aplicação de tinta e, a seguir eram impressas em papel. Albrecht Dürer fez uso nesses impressos das técnicas italianas de desenhos de figuras, sobretudo das linhas curtas e “modeladoras” que lhe conferiam volume – de tal forma que seus anjos, demônios e homens possuem uma força tridimensional, até então desconhecida na xilogravura.

Sob vários aspectos, contudo, as xilogravuras de O Apocalipse ainda estavam enraizadas nas tradições nativas de Albrecht Dürer e jamais poderiam passar por uma obra italiana. Estudara com os italianos, mas utilizando-se de seu aprendizado expressando um sentimento religioso, simultaneamente pessoal e apaixonado. Os rostos atormentados, as multidões amontoadas e os demônios odientos trazem características inteiramente particulares.

Dando continuidade a essa mistura de estilos, caracteriza trabalhos de outros episódios do Novo Testamento – ele raramente escolhia temas do Antigo. Cores vibrantes, estrutura geométrica da composição e o uso da arquitetura clássica dão uma verdadeira evidência da influência de Bellini e de Leonardo da Vinci de acordo com sua obra A Adoração dos Magos. Ao mesmo tempo, as figuras e a paisagem de fundo tem caráter singularmente nórdico.

A figura humana vai se tornando cada vez mais o centro da preocupação da arte de Albrecht Dürer. Seus estudos sobre o nu eram incessantes, e durante sua primeira visita a Veneza copiou os nus clássicos dos artistas italianos e dos gravadores Antonio Pollaiuolo e Mantegna e, nos próprios desenhos, pinturas e em sua notável gravura – A Queda do Homem, Albrecht Dürer procurou uma fórmula que representasse o corpo – uma linha mestra que resultasse na perfeita proporção entre cabeça, tronco, braços e pernas.

Embora tenha constatado que havia diversas fórmulas e nenhuma medida confiável para a beleza, tais esforços ampliaram o âmbito de sua obra, ajudando-o a alcançar, na pequena escala de xilogravura ou da gravura em metal, a mesma grandeza que os artistas italianos conquistaram em seus quadros e afrescos.

As gravuras e mesmo os quadros de Albrecht Dürer também surpreendem pela maestria nos mais diminutos detalhes. Elaborava infindáveis estudos de mãos, cabeças, objetos domésticos, plantas e animais: “O mínimo detalhe deve ser realizado o mais habilmente possível”, dizia, “nem as menores rugas e pregas devem ser omitidas”. Tinha verdadeira fascinação pelo mundo natural, assim como Da Vinci que era seu contemporâneo e tinha verdadeira obsessão por determinados temas; Dürer desenhava e pintava indistintamente tudo que via. Acreditava que “a autêntica arte está contida na natureza e aquele que consegue aprendê-la a alcança”.

Essa fidelidade à natureza estava expressa em seus brilhantes esboços em aquarela do cenário alpino – únicos em seu tempo. Suas gravuras em metal são consideradas suas maiores obras. Combinando a impressão xilográfica com a gravação ornamental em ouro e prata, adequava-se particularmente a ele, devido à sua experiência como ourives.

O próprio Albrecht Dürer recortava o desenho sobre uma chapa de cobre, utilizando um buril metálico, como um cinzel delicado, o que exigia muita paciência, acuidade visual e firmeza nas mãos. Os impressores, então, aplicavam tinta nas ranhuras entalhadas e pressionavam a chapa sobre um papel úmido.

As gravuras de Albrecht Dürer exibem surpreendentemente variedade de tons e de texturas, além das sutis variações de luz e sombra. Não são apenas as gravuras de maior apuro técnico já produzidas; expressão mais que isso, uma gama de sentimentos nunca vista antes em escala tão pequena.

A habilidade e originalidade de Albrecht Dürer, atingem um nível sem paralelos, particularmente em três gravuras riquíssimas, O Cavaleiro, a Morte e o Demônio, Melancolia I e São Jerônimo em Seu Estúdio. Albrecht Dürer com seu insaciável apetite artístico pela experimentação se desenvolveu em várias formas de expressão: foi um dos primeiros artistas a usar o novo processo da água-forte em metal.
Desnecessário dizer que sou fã dele também, né?

Read Full Post »

Mais um 13 de agosto, dia internacional dos canhotos, com direito a cair numa sexta-feira!

Parabéns a todos os canhotos e simpatizantes que acessam esse blog desde setembro de 2007!

Abraços a todos e um aperto de mão esquerda!

= ]

Read Full Post »

por Antenor Thomé

Quando estava encerrando minha faculdade de jornalismo em 2003, tinha que fazer o tal TCC. Acabei fazendo um vídeo sobre o Riso, mas eu tinha um “plano B” que era escrever um livro sobre a “Vida do Canhoto”.

Eu sou canhoto e nunca tive nenhum problema sobre isso, aliás eu acho o máximo. O primeiro aspecto que se comenta é o de escrever com a mão esquerda. Muita gente fala que canhoto tem letra feia e encontra dificuldades para escrever. Minha letra é bonita, as pessoas vivem elogiando e quanto as dificuldades acredito naquela história da adaptação. Fui aprendendo a lidar com as dificuldades e hoje não encontro grandes problemas.
Eu cheguei a fazer uma longa pesquisa sobre essa questão do canhoto e dos instrumentos adaptados para facilitar nossa vida. Quem é destro nunca deve ter parado para pensar, mas instrumentos simples como tesoura, régua e abridor de lata são feitos para pessoas que usam a mão direita. Esses objetos criados para o mundo dos destros fazem com que o canhoto tenha uma imagem de desajeitado, atrapalhado porque ao usar um abridor de latas, por exemplo, parecemos contorcionistas.
O que muita gente não sabe é que existiu um preconceito muito forte contra os canhotos e ainda há muitos traços desse preconceito ainda hoje. Vamos então buscar algumas explicações e respostas na história para entendermos o que há de temível nos canhotos.
Começemos pela religião, elas adoram criar preconceitos e idéias malucas sobre as coisas. Na bíblia Jesus senta-se ao lado direito de Deus. No século XVII difundiu-se a idéia de que o Diabo batizava seus seguidores com a mão esquerda. O Alcorão, por exemplo, diz que aqueles que carregam o livro na mão esquerda no dia do Juizo Final são as pessoas que não foram bem-venturadas. Ainda falando de religião, muitos canhotos foram queimados em fogueiras porque eram considerados feiticeiros, bruxas e paranormais.
Saindo da religião e partindo para a política. Percebemos também a forte influência desse pensamento obscuro com o lado esquerdo. Bom, de cara podemos citar o fato de o lado do contra, opositor, que está a margem é a “esquerda”. Na monarquia francesa ficava notória essa separação. Nobres ficavam ao lado direito do Rei, já a burguesia sempre a esquerda.
Esses são fatos que foram criando um imaginário que foi passando de geração para geração. Em um passado não tão distante professores repreendiam alunos que escreviam com a mão esquerda, forçavam crianças aprender a escrever com a mão direita. Até cumprimentar alguém é “correto” fazer com a mão direita.
Estima-se que cerca de 10% da população seja canhota. Alguns livros tentam encontrar respostas sobre as razões desta questão, um deles chama-se “Right Hand, Left Hand”. Não existem dados e estudos conclusivos sobre o canhoto. Muitos dizem que o canhoto é alguém diferenciado porque o lado direito do cérebro é mais ativo, lado esse que é ligado a genialidade, com as habilidades artísticas e visuais.
Pra finalizar e mostrar esse certo preconceito vou citar mais duas coisas. Adivinhe qual é o dia do canhoto. Dia 13 de agosto. Não preciso dizer que é um dia considerado por muitos de azar e no mês considerado de mal agouro.
Alguns idiomas deixam claro o lado negativo do canhoto. Bom, o contrário de canhoto em português é destro, que significa alguém dotado de destreza, hábil, correto. Em italiano canhoto é “sinistro” que quer dizer de mau agouro, fúnebre, ameaçador. Já em francês canhoto é “gauche” que significa alguém acanhado, inepto.
Quem utilizou muito bem esse termo foi Carlos Drummond de Andrade na primeira estrofe do poema “Poema de Sete Faces”.
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra disse:
Vai, Carlos! ser gauche na vida.

Read Full Post »

Por Júlia Contier

Além do brilhantismo em diferentes áreas, o que será que Albert Einstein, Ayrton Senna, Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Napoleão Bonaparte teriam em comum? Todos eles eram canhotos. E a lista de pessoas famosas que têm mais habilidade com a mão esquerda não pára por aí: Tom Cruise, Julia Roberts e Keanu Reeves também tiveram maior facilidade em usar o lado esquerdo para escrever.

Aqueles que desenham, pintam, ou escrevem com a mão esquerda são chamados de canhotos, os que preferem a direita são destros e os que usam as duas mãos são ambidestros.

Alunos da 3.ª série do Colégio Nossa Senhora das Graças, Guilherme Brito, Olivia Nagawama, Marina Cardim e Guilherme Trevizani relataram que machucaram a mão direita uma vez e que tiveram de usar, com muita dificuldade, a mão esquerda por alguns dias. Para as quatro crianças, a experiência não foi nada fácil: elas borravam o caderno para escrever, tinham muita dificuldade para pintar e para realizar atividades simples do dia-a-dia. “Quando eu quebrei o braço direito achava muito difícil escrever com a mão esquerda, mas mesmo assim era mais fácil do que escrever com a direita, que estava engessada”, conta Guilherme, de 9 anos . Eles perceberam que ser canhoto não é nada fácil, mas há quem ache muito bom. Giulia Falzoni, por exemplo, gosta porque ela tem facilidade em jogar tênis com a mão esquerda e conseqüentemente tem ótimos resultados nos treinos.

A técnica de handebol Andrea Maio concorda que pode haver uma vantagem: “O aluno tem que saber aproveitar a habilidade na hora de fazer a fita, porque eles podem confundir os adversários que estão esperando o drible do outro lado”, diz ela. Coincidência ou não, o titular do time de handebol, André Ribeiro, é canhoto.

Frederico Moura Ignácio, de 10 anos, também treina neste time de handebol, mas, apesar de ter o poder de desarmar o adversário lançando a bola com a mão esquerda, ele percebe algumas dificuldades por ser canhoto. Para escrever, por exemplo, a espiral do caderno incomoda muito. Marcelo Wajskop também acha ruim escrever porque a espiral machuca suas mãos na hora de fazer as tarefas.

Se até 1960 os professores proibiam as crianças de escrever com a mão esquerda, hoje tem se pensado cada vez mais nos alunos dentro do ambiente escolar, afinal os canhotos representam 10% da população mundial. As escolas já possuem carteiras adaptadas. Em algumas lojas conseguimos encontrar tesouras, cadernos, mouse, teclado e até abridores de lata para canhotos.

Para essa turma, os cadernos têm o espiral em cima e não na lateral, como um bloquinho de anotação. Ainda falando das dificuldades dos canhotos em usar materiais escolares para pessoas destras, Clara Abboud conta que usa uma tesoura especial para canhotos e diz que é bem mais fácil para cortar.

No Leadership Group, maior distribuidor de acessórios de informática do País, é possível comprar pela internet mouses e teclados especiais para canhotos (www.leadershop.com.br). Em Londres, capital da Inglaterra, existe uma loja com mais de 250 produtos especializados para canhotos (www.anythingleft-handed.co.uk). Vale a pena ficar atento a tudo que facilite a vida e a rotina de quem se vira melhor do lado esquerdo.

O fantástico mundo dos canhotos

Read Full Post »

Canhoto ou destro: pesquisa indica que a influência das experiências ao longo da vida pode ser maior do que se imaginava

Ser destro ou canhoto pode ser apenas uma questão de prática, não sendo a genética tão determinante assim na definição de qual mão utilizamos para escrever ou que pé usamos para chutar uma bola, por exemplo. A afirmação pode parecer estranha, mas é o que sugerem trabalhos realizados pelo Laboratório de Sistemas Motores Humanos da Escola de Educação Física e Esportes da Universidade de São Paulo (EEFE/USP), que deram origem à pesquisa Lateralidade e comportamento motor. Os resultados do estudo demonstram que essa preferência é provocada pelo processo do desenvolvimento motor. “Nossa suposição é que as experiências motoras com cada uma das mãos têm importância muito maior no desenvolvimento da lateralidade do que se imagina”, alega Luis Augusto Teixeira, coordenador da pesquisa.

De forma geral, acredita-se que a lateralidade de uma pessoa seja provocada pelos genes. Por esse ponto de vista, um dos hemisférios cerebrais seria mais apto a controlar os movimentos voluntários e, em função dessa predisposição inata, a pessoa se tornaria destra ou canhota. No entanto, Teixeira observou que tanto a preferência pelo uso de uma das mãos quanto o desempenho motor relativo entre as mãos direita e esquerda podem ser facilmente modificados por experiências práticas. Isso tem implicações diretas na formação da lateralidade nos primeiros anos de vida, quando se estabelece a preferência. “O simples fato de a mãe colocar uma colher ou brinquedo sempre em uma das mãos de seu bebê poderia influir na formação de sua lateralidade”, pontua.

Os estudos têm mostrado que, para a grande maioria das ações motoras, a capacidade de aprendizagem é equivalente entre os lados direito e esquerdo do corpo. Por isso, uma vez que alguém se empenhe em praticar alguma atividade usando o lado não dominante pode, após algum tempo, desempenhar as ações praticadas alcançando a mesma eficiência com ambas as mãos.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores pediram a voluntários que fizessem exercícios que consistiam em realizar uma sequência de toques entre os dedos. Um grupo de pessoas fez o exercício com a mão preferida e o outro, com a mão não preferida. “Aqueles que começavam com a mão não dominante achavam que não conseguiriam realizar as tarefas”, conta Teixeira. Porém, a taxa de sucesso entre os dois grupos foi similar. A medição feita no final dos testes mostrou que o desempenho de ambos os grupos dependia muito mais da mão com que praticaram o exercício do que do fato de terem usado a mão preferida ou não.

Outro fator observado foi que uma certa prática leva aos mesmos resultados com os lados dominante e não dominante. Isso significa que, se uma ação é praticada com a mão não preferida, depois de pouco tempo o desempenho se torna melhor com esta mão do que com a mão dominante. “Assim, fica evidente que a plasticidade neural é capaz de, rapidamente, levar a uma vantagem de desempenho com a mão usada durante a prática”, analisa Teixeira. Não existe uma forma especial de prática com o lado não preferido em comparação ao praticado com o lado preferido. É preciso haver uma quantidade mínima de repetições com o propósito de melhorar o desempenho.

Circuitos

No domínio motor, porém, são poucas as ações em que há uma vantagem consistente de desempenho com um dos lados do corpo desde fases iniciais do desenvolvimento. Algo que os cientistas já sabem é que experiências com uma das mãos levam a modificações nos circuitos cerebrais. “Uma parte importante dessas modificações é específica ao hemisfério cerebral contralateral à mão utilizada. Assim, a especialização hemisférica é algo dinâmico, que se altera com as experiências do dia a dia”, explica o coordenador da pesquisa.

É aí que Teixeira sugere que a escolha do lado dominante do corpo pode ser feita por conta de acontecimentos na vida do indivíduo, ou mesmo por influência dos pais. “A criança se espelha nos pais. Se eles são destros oferecem tudo ao bebê com a mão direita. Com isso, a criança acaba tendendo a ser destra também.” Segundo o coordenador, a preferência manual é bastante variável até os 2 anos de idade, sendo bastante suscetível de ser afetada por fatores ambientais.

Então, como explicar os ambidestros? Alex Ribeiro Garcia, 29 anos, jogador do Universo e da Seleção Brasileira de Basquete, é um desses casos raros. Ele chuta com o pé esquerdo e arremessa com a mão esquerda, mas controla melhor a bola com a direita, a preferida também na hora de escrever. “Minha precisão é com a esquerda, mas sou mais confiante com meu lado direito”, diz o jogador, que se considera canhoto.

Para a ciência, no entanto, ele tem o que se chama lateralidade cruzada. “Por algum motivo, ele desenvolveu essa preferência cruzada. O que demonstra que elementos como prática ou algum acontecimento durante a vida tenha definido a ambidestralidade, mesmo que cruzada”, explica Luis Augusto Teixeira. Alex puxa pela memória, mas não sabe dizer o que pode ter definido suas escolhas. “Sou assim desde criança. Mas confesso que o esporte me ajudou a desenvolver essas habilidades que chamam de cruzadas.” Os estudos podem servir de estímulo para atletas treinarem os dois lados do corpo, buscando melhorar sua performance. “O difícil é convencer a pessoa a se empenhar e fazer com que os lados fiquem equiparados”, comenta Teixeira.

Domínio do cérebro

A lateralidade é a capacidade de controlar os dois lados do corpo juntos ou separadamente. Quem comanda essa atividade é o cérebro. Cada um de seus dois lados controla os movimentos da parte oposta do corpo. Assim, a mão e o pé esquerdos, por exemplo, são acionados pelo hemisfério cerebral direito, e vice-versa

A prática

O estudo traz resultados de vários trabalhos e elabora a tese de que a preferência pelo lado direito ou esquerdo não seria um fator genético pré-determinado, mas algo esculpido pelo processo de desenvolvimento motor. Portanto, os dois lados do corpo têm o mesmo potencial nesse desenvolvimento.

Os testes

Uma sequência de toque entre os dedos (movimento de pinça) foi proposta a voluntários. Um grupo fez o exercício com a mão preferida e um outro com a mão não preferida

Resultados

A taxa de sucesso nos dois grupos foi similar. A medição sugeriu que o desempenho dos grupos dependia muito mais da mão com que praticaram o exercício do que do fato de terem usado a mão preferida ou não. A prática foi determinante

Surpresa

Os voluntários que utilizaram a mão não preferida afirmaram que se sentiram mais confiantes fazendo o exercício com aquela mão depois de tentarem com a mão preferida

por Silvia Pacheco

Ser canhoto ou destro é só questão prática, diz pesquisa

Read Full Post »

por Diogo Goulart
Meus pais colocaram os talheres na minha frente e eu decidi ser diferente, peguei o garfo com a mão esquerda e desde então adicionei mais um adjetivo ao meu ser: canhoto.
Mas qual o problema em ser canhoto? Dizem que os canhotos são mais sensíveis, voltados para as artes e lógico, mais inteligentes, só pra citar alguns ilustres canhotos: Picasso, Da Vinci, Chaplin, Machado de Assis, Bill Gates, Albert Einstein, preciso dizer mais alguma coisa?
Então porque tanto preconceito contra os canhotos? Só há uma resposta: o mundo foi feito para os destros.
Só pra começar canhoto é também conhecido como sinistro, em português canhoto é sinônimo de inábil, já o destro é sinônimo de hábil, direito. A mão do destro é a direita, ou seja, a mão certa, a mão da maioria, o canhoto usa a mão esquerda, a mão “errada” a mão contrária.
Lembro que quando eu sentava ao lado do meu irmão nas refeições era briga na certa, cotovelo batendo com cotovelo, agora consigo me controlar melhor e procuro um lugar à mesa aonde eu não incomode ninguém.
E no colégio e faculdade? As cadeiras foram feitas para os destros, as vezes eu pedia cadeira pra canhoto mas era sempre um transtorno, tinham que procurar pelas salas até acharem uma perdida acomodando alguma mochila. Olhavam pra mim com pena, tadinho, ele precisa de uma cadeira pra canhoto. Cansei. Resolvi me contentar com as cadeiras de destro, hoje estou tão acostumado que prefiro estas à de canhotos.
Não podemos esquecer de outros utensílios feitos para destros, a régua, a tesoura e o famigerado abridor de latas, você que é destro pode estar se perguntando o porque disso, mas só um canhoto pode me entender, e como conviver com tudo isso? Foi fácil, me adaptei, aprendi a usá-los com a mão direita, traí minha categoria, nesses momentos sou um destro.
Não chego a ser ambidestro, olha outra discriminação, porque não ambicanhoto, porque ambidestro? O destro sempre prevalecendo. Como eu ia dizendo, não sou ambidestro, só desenvolvi uma forma de me adaptar melhor ao mundo cruel em que vivo. Não consigo escrever de forma alguma com a mão direita, já tentei, na época em que isso me incomodava, mas isso passou, até porque não teve jeito mesmo.
Também uso a perna direita pra chutar, e é claro, acordo sempre com o pé direito só por supertição é melhor não brincar com isso né?
Posso até estar exagerando, talvez esteja, porque esta “condição” realmente nunca me atrapalhou em nada, é só um pequeno desabafo não é tão ruim ser torto, acanhado, esquerdo, inapto, é como Drummond disse: “Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida”.
Não posso esquecer de uma última conclusão que tirei, se Deus escreve certo por linhas tortas, é óbvio que ele é canhoto, ou seja, ser canhoto é ter algo de divino. Foi mal hein.

Read Full Post »

por Jefferson Cassiano*

Meu pai é canhoto. Quando eu era catatau, gostava de vê-lo exercendo suas habilidades de mecânico profissional e pedreiro amador com ferramentas todas desenhadas para destros. Mesmo com as chaves de boca, os esquadros e as furadeiras sendo claramente partidárias dos destros, as obras na casa da minha infância nunca deixaram de ser feitas. É fato: um canhoto vive “direitinho” no mundo construído para destros.
Eu sou destro, mas de tanto ver meu pai segurar a caneta de um jeito diferente, escrevo usando a mão direita com jeitão de canhoto, punho flexionado para dentro e um certo vacilo no ato. Dizem que o canhotismo é genético, mas não sei se isso significa que é hereditário. Sendo, os genes de meu pai perderam a guerra e minhas irmãs também não são canhotas. É fato: não sendo canhoto, escapamos de levar tapas na mão esquerda quando estávamos no primário, castigo que vi muitos coleguinhas sofrendo nas décadas de 1970 e 1980.
Se, como provou meu pai, os canhotos se adaptam ao nosso mundo, está tudo resolvido, não há o que polemizar. Tudo bem que essa é a maneira de um destro encerrar o assunto e seguir assistindo ao jogo do Curintia contra o Bacalhau, admirando a finta a la Garrincha que o Fenômeno, ambidestro (o que é isso? Com duas direitas?), deu no Touro Sentado vascaíno. Fosse eu um canhoto, usaria esse espaço para protestar, como bom homem de esquerda que eu seria. Quem foi que disse que o certo é o direito?
Essa história tem História. Há indícios de que, desde que o homem começou a usar a linguagem falada para se comunicar, existe uma prevalência do direito sobre o esquerdo. Nas principais línguas modernas, o vocábulo usado para designar o lado direito ainda sustenta uma carga semântica sempre associada à idéia de correção, de bem, de legalidade. Em português, espanhol, inglês, italiano e francês, a palavra que define o lado contrário ao esquerdo é, também, usada para o que é legal, o que obedece à ordem, o que é “de direito”. Já o que é esquerdo, também é sinistro em italiano e no português mais arcaico; sinistro, em diversas línguas neolatinas, tem um peso negativo, até assustador. Em inglês, esquerdo é left, usado ainda como particípio do verbo to leave, com freqüência sinônimo de abandonar, sair, escapar. Em francês, é gauche, palavra usada para definir pessoas sem jeito, fora do eixo, desajustadas, inaptas.
Na política, o binômio esquerda-direita surge exatamente na França do Antigo Regime. Os membros do Terceiro Estado – nem padres, nem nobres – ocupavam, no Parlamento, um lugar à esquerda do rei. O clero e a aristocracia estavam sempre à direita. A resistência à manutenção do Antigo Regime vinha, quase sempre, dos integrantes da esquerda, enquanto as anuências ficavam mais à direita. O Terceiro Estado era formado por trabalhadores urbanos, camponeses e pela burguesia. Era o novo que buscava espaço, tentava subverter a ordem. Chegando depois de a “festa” começar, ficava à esquerda do rei, pois ficar à direita equivalia a estar à direita do Pai, honra guardada para os homens santos e/ou de sangue azul. Jesus está à direita do Todo-Poderoso; o diabo está à esquerda e da sua benção com a mão…esquerda.
Quem nunca acordou mal, com o “pé esquerdo”, ou desejou a um amigo que começasse o ano bem, com o “pé direito”? Posso parar por aqui? Não preciso dizer que, na Idade Média, canhotos eram queimados vivos por serem filhos do Coisarruim? Então está direito…ops. Já estamos convencidos que vivemos num mundo de destros e que por mais que a ciência possa relacionar essa preferência com os movimentos de rotação e translação da Terra, o resultado prático disso, poucas melhoras a parte, é que nós, 90 % de destros, pouco ligamos para os canhotos.
O que me faz pensar que também não nos colocamos no lugar de qualquer um que seja diferente de nós: palestinos, judeus, palmeirenses, diabéticos, milionários, miseráveis, poetas, obesos, magríssimos, vaidosos, padres, prostitutas, negros, amarelos, tricolores… Qualquer um que ameaça o nosso conforto, a nossa direita segura (mantenha a direita!), não merece nossa capacidade de empatia, de sentir o que o outro sente. Se eu fizesse a pergunta: você tem preconceito em relação aos canhotos? A sua resposta seria negativa. Quem é que tem preconceito contra canhotos? Ninguém. O que se tem em relação a canhotos, palestinos, judeus, palmeirenses, diabéticos, milionários, miseráveis, poetas, obesos, magríssimos, vaidosos, padres, prostitutas, negros, amarelos, tricolores, quase sempre, é uma total indiferença. Para os destros, todo os tipos de destro, a indiferença é melhor que o preconceito. Para os canhotos, todos os tipos de canhotos, a indiferença é a fogueira reeditada. Pense canhoto.

* Publicitário e professor de língua portuguesa. Tem um pé esquerdo cego, mas, sem ele, desaba.

Fonte: Pense canhoto – Jefferson Cassiano

Read Full Post »

Older Posts »