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Archive for abril \08\UTC 2009

Já considerado um clássico no estudo das potencialidades cerebrais. Em uma edição atualizada, os autores apresentam as descobertas básicas na área da assimetria cerebral, procurando separar os fatos comprovados daquilo que é mera especulação. Escrito para um público amplo, apresenta conclusões científicas de forma clara para o leigo, sem comprometer a precisão e a complexidade dos tópicos analisados.

Cérebro esquerdo, cérebro direito – Sally P. Springer & Georg Deutsch

Trechos do livro que falam sobre nós, os canhotos:

[…]De que modo a organização do cérebro dos canhotos se diferencia da dos destros? Tanto os estudos clínicos como os comportamentais têm ajudado a responder essa questão. No capítulo 1, observamos que o teste com sódio amobarbital mostrou que mais de 95% dos destros têm a fala localizada no hemisfério esquerdo, e que 70% dos canhotos apresentam o mesmo padrão. A maioria dos 30% restantes evidencia representação bilateral da fala. A partir desta configuração, poder-se-ia concluir que a maioria dos canhotos é exatamente como os destros.

Outros dados clínicos, entretanto, sugerem que o quadro é mais complexo. Vários estudos relataram que o prognóstico de recuperação da afasia após um derrame é muito melhor em canhotos do que em destros. Muitos pesquisadores acreditam que a recuperação de uma lesão maciça no hemisfério da fala é uma função da extensão em que o hemisfério não danificado pode assumir o comando.[…]

[…]A organização do cérebro dos canhotos parece ser mais complexa do que alguém poderia esperar a partir dos dados obtidos com o sódio amobarbital. Outro trabalho clínico sugeriu que parte da variação entre canhotos pode ser explicada determinando-se se um determinado canhoto tem parentes de primeiro grau (pais, irmãos ou filhos) canhotos. Os canhotos com histórico de canhotos na família (canhotos na família mais próxima), apresentavam frequências similares de distúrbios de linguagem após lesão no lado esquerdo ou no lado direito do cérebro. Nos canhotos sem canhotos na família, os distúrbios da linguagem eram quase inexistentes após a lesão no hemisfério direito. Esta diferença sugere que há pelo menos duas espécies de canhotos e que os padrões de organização do cérebro dos dois grupos são diferentes.

Os estudos com pessoas normais têm considerado o efeito da ocorrência de canhotos na família na realização dos testes de lateralidade. Vários estudos fornecem base para a idéia de que os canhotos com parentes canhotos são diferentes daqueles que não os têm. Infelizmente, as descobertas quanto à natureza de tal diferença não são consistentes.

As evidências que apontam para a existência de diferenças na organização do cérebro entre pessoas com e sem histórico familiar de canhotos, têm sido admitidas por alguns como um sinal do comportamento genético na dominância manual. A mesma relação, contudo, pode ser vista também como apoio para um determinante ambiental da dominância manual.[…]

[…]Jerre Levy e Mary Lou Reid identificaram outra variável – a posição da mão – que, segundo acreditam, poderia ajudar a classificar os canhotos em diferentes grupos, com base na organização do cérebro. Alguns canhotos escrevem numa posição invertida ou curvada, segurando a caneta ou o lápis acima da linha da escrita. Os outros canhotos, assim como os destros, seguram seus instrumentos abaixo da linha da escrita.

Levy e Reid afirmam que a posição invertida da mão significa que o hemisfério da fala está do mesmo lado da mão preferida. Assim, a fala de um canhoto que inverte a mão seria controlada pelo hemisfério esquerdo. A fala de um destro que inverte a mão (esses indivíduos são raros), seria controlada pelo hemisfério direito. A fala de pessoas que não invertem a mão ao escrever seria controlada pelo hemisfério oposto à mão preferida. Seus pontos de vista conflitam com a sabedoria convencional, que sugere que a posição da mão é devida unicamente ao treino.[…]

O livro, apesar do tema sobre o qual trata ser bastante complexo, expõe as idéias de forma bastante simples e fácil de entender, mesmo por leigos no assunto.

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Os poderes executivos federal, estadual, distrital e municipal deverão instalar em todas as salas da rede pública de ensino carteiras escolares suficientes para o atendimento de alunos canhotos. Projeto nesse sentido, de autoria do senador Marconi Perillo (PSDB-GO), está pronto para ser votado na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).

O texto (PLS 305/08), que tem parecer favorável do senador Augusto Botelho (PT-RR), deverá ser examinado ainda pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), em decisão terminativa. A iniciativa do projeto se ampara na constatação de que há insuficiência, nas escolas brasileiras, de cadeiras adequadas aos canhotos.

Na justificação do projeto, Marconi Perillo diz que uma das dificuldades mais expressas pelos canhotos é a ausência de carteira escolar com braço esquerdo. A situação, avalia o senador, é um reflexo da época em que se costumava forçar as crianças a usar sempre a mão direita para escrever, desenhar ou pintar, visto que os canhotos eram vistos como exceção.

“Hoje, entende-se que a preferência lateral da criança precisa ser respeitada, porque interferir nesse campo significa contraditar a organização do cérebro infantil. Basta dizer que a lateralização, ou o uso predominante de um dos lados do corpo, ocorre entre os três e os seis anos de idade. Ela é um dos resultados do amadurecimento do cérebro, uma parte integrante do processo de crescimento”, analisa o senador.

Marconi Perillo também invoca estudos recentes para dizer que a transferência de dados entre os hemisférios cerebrais e, “por conseguinte, o aumento da habilidade, prepondera entre os canhotos, o que reforça a idéia de permitir às crianças a lateralidade que lhe seja mais favorável”. O senador acredita que seu projeto pode beneficiar 10% dos alunos brasileiros.

Escolas poderão vir a oferecer carteiras escolares em número suficiente a todos os alunos canhotos

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Esta tirinha foi retirada do site abaixo, onde alguns cartunistas resolveram desenhar suas tirinhas com a mão esquerda:

Left-handed toons

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Por Aline Vieira

Segundo estudos, cada pessoa nasce com uma preferência por um lado do corpo, o que a faz, logo pela infância, escolher com qual das mãos – ou pés – fará as atividades mais significativas em sua vida.

Já no século XVI, o chamado clã dos Kerr, da Inglaterra, encontrou uma arma interessante para lutar contra seus inimigos escoceses, que queriam tomar suas propriedades: construíram um castelo com escadarias espirais da direita para a esquerda que dificultavam a invasão de pessoas… destras. Apesar de curioso para a época, o plano deu certo. Os Kerr, que eram uma família dominada por canhotos, descobriram uma técnica fácil para se sair bem num mundo que já era feito para os “de direita”.

A curiosidade em torno do porque uma pessoa nasce destra e outra canhota sempre existiu. Na idade média, acreditava-se que se uma pessoa tinha dominância pela mão direita, ela era saudável e abençoada, enquanto os que preferiam a mão esquerda eram criaturas demoníacas e perversas.

Naquela época, escrever com a mão esquerda era considerado um erro que devia ser consertado o mais rápido possível. Quem era canhoto era reprimido – levava chicotadas, cintadas e tapas nessa mão – e induzido a aprender a se virar com a mão direita. Isso porque, em alguns países islâmicos, a mão esquerda era a “mão suja”, utilizada para tarefas como a higienização do corpo.

De lá para cá, a tolerância com os canhotos pode ter aumentado, mas eles ainda têm que aprender a lidar com um mundo onde as tesouras, os abridores de latas e as torneiras ainda funcionam para o lado “errado”. Para os destros que, segundo estimativas, são 90% da população mundial, fazer tudo com a mão esquerda ainda é um espanto.

Para os cientistas, tentar explicar o que acontece no corpo e no cérebro para se definir uma pessoa destra ou canhota ainda é um problema. “Existem pesquisas que tentam entender o porquê do canhotismo ou do destrismo, mas nada pôde ser comprovado cientificamente”, diz o psicólogo especializado em Neurociências Márcio Toledo. Apesar disso, todos partem do princípio da teoria da lateralidade. “Ela pode ser definida como a preferência (e dominância) de cada pessoa por um dos lados do corpo – não só a mão”, afirma o psicólogo.

A lateralidade parte do princípio de que o corpo depende das atividades cerebrais para funcionar e, portanto, segue as ordens dele. O cérebro, por sua vez, é dividido em dois hemisférios: o direito e o esquerdo. O lado esquerdo dele coordena a parte direita do corpo, enquanto o direito coordena a parte esquerda do corpo.

Segundo a lateralidade, cada pessoa tem um maior comando por uma das partes do cérebro e é aí que se define quem é canhoto e quem é destro – os destros são comandados pelo lado esquerdo do cérebro e os canhotos pelo lado direito. Também há pessoas que têm a mesma dominância de comando dos dois hemisférios cerebrais e, portanto, têm a mesma facilidade em ambas as partes do corpo.

Os cientistas afirmam que numa família de pais destros, a chance de a criança ser canhota é só de 2%. Essa estatística salta para 17% se um dos pais for canhoto e para 50% se ambos forem canhotos.

Já segundo o psicólogo americano Arnold Gesell, especializado em desenvolvimento infantil e famoso por anos de pesquisa na área, é possível perceber se uma criança será destra ou canhota desde cedo através de observações comportamentais simples, como ver a mão que ela usa para apontar, pedir comida ou brinquedos, e até mesmo pra que direção ela vira na hora de dormir. “Essa preferência realmente começa a ser mais perceptível quando a criança tem entre 5 e 9 anos de idade”, concorda Dr. Toledo.”

Fonte: Por que as pessoas são canhotas ou destras – Ig Educação

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Leves estímulos de eletricidade no cérebro podem fazer com que os destros utilizem melhor a mão esquerda, segundo um novo estudo feito por pesquisadores americanos e divulgado no site científico Live Science. Por meio de uma técnica não invasiva, os cientistas identificaram em testes que os indivíduos que usam os membros do lado direito do corpo, preferencialmente e com maior habilidade, apresentaram uma melhora nos movimentos do lado esquerdo.

A técnica, chamada de corrente contínua de estimulação transcraniana (tDCS, na sigla em inglês), consiste em conectar eletrodos ao couro cabeludo com o objetivo de alterar a propriedade dos neurônios cerebrais dos tecidos subjacentes. Em testes com 16 voluntários totalmente saudáveis, os cientistas do Centro Médico Beth Israel e da Escola Médica de Harvard, nos Estados Unidos, descobriram que a destreza da mão esquerda dos participantes aumentou ligeiramente com o método.

Com o equipamento, os pesquisadores avaliaram os efeitos da aplicação elétrica na região motora de um dos lados do cérebro, em comparação com os dois.

Desconhecendo o procedimento que estava sendo feito, os voluntários utilizaram os dedos da mão esquerda como chave para uma série de números em um computador. Cerca de 24% dos avaliados obtiveram uma melhora tanto na região motora esquerda quanto na direita. Já outros 16% tiveram um aumento da destreza em apenas um dos lados. Em um teste falso, onde nenhum estímulo foi produzido, o número atingiu 12%.

Os resultados da pesquisa foram divulgados na edição de 27 de outubro da revista científica BMC Neuroscience.

Para Gottfried Schlaug, um dos estudiosos, as conclusões são relevantes para a investigação clínica nos processos de recuperação motora de pessoas que sofreram acidente vascular cerebral (AVCs). “Estimulando as regiões motoras do cérebro, poderíamos ajudar os pacientes a recuperar alguns dos movimentos que eles possam ter perdido”, afirmou.

A pesquisa foi financiada em parte pelo Instituto Nacional de Neurologia, o Centro de Integração de Medicina e Inovação Tecnológica (Cimit, na sigla em inglês) e da Fundação Michael Smith para Pesquisa de Saúde.

Questionamentos
Luiz Alcides Manreza, especialista do Departamento de Neurologia do Instituto de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), questionou o resultado do estudo realizado pela equipe americana de pesquisadores, alertando que não existem registros de pesquisas com o método em questão. “É um caso novo porque não se tem conhecimento de estudos que possam ter chegado a estes resultados”, avaliou. Segundo ele, “se for comprovado cientificamente que os estímulos ajudam os destros a controlar melhor os membros da esquerda, acredito que a técnica poderia auxiliar no tratamento de pacientes que sofreram AVCs”, considerou.

O neurologista informou que infelizmente ainda não existem mecanismos que recuperem mais rápido a mobilidade de pacientes que sofreram derrames, além dos tratamentos tradicionais, como fisiatria e fisioterapia, fonoaudiologia, psicólogo e terapia ocupacional.

da Redação Terra

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da BBC Brasil

Uma pesquisa da Universidade de Abertay, na Escócia, afirma que pessoas canhotas podem ser mais ansiosas, tímidas ou se sentirem constrangidas para dizer ou fazer o que querem.

“Os canhotos têm mais chances de hesitar (frente a uma situação), enquanto que destros tendem a ‘se jogar’ mais”, afirmou Lynn Wright, que chefiou a pesquisa. E este parece ser o caso quando uma tarefa ou situação é nova ou diferente.

Em testes de inibição comportamental, 46 homens e mulheres canhotos pontuaram mais do que os 66 destros testados. Mulheres também pareciam ser ainda mais hesitantes do que homens.

Wright e a equipe de pesquisadores da universidade escocesa chegaram a estes resultados ao fornecerem aos voluntários um teste comportamental que avalia controle pessoal e impulsividade, traços de personalidade que parecem ter origem em lados opostos do cérebro.

Conexão
Os cientistas descobriram que, comparados aos destros, canhotos e mulheres tinham mais probabilidade de concordarem com afirmações como “Temo cometer erros” e “Críticas ou censuras me magoam”.

Todos os grupos responderam de forma semelhante a declarações como “Costumo agir de forma impulsiva” e “necessito excitação e novas sensações”.

Leia a reportagem completa abaixo:

Canhotos tendem a ser mais tímidos, diz estudo

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