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Archive for janeiro \27\UTC 2010

Por Júlia Contier

Além do brilhantismo em diferentes áreas, o que será que Albert Einstein, Ayrton Senna, Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Napoleão Bonaparte teriam em comum? Todos eles eram canhotos. E a lista de pessoas famosas que têm mais habilidade com a mão esquerda não pára por aí: Tom Cruise, Julia Roberts e Keanu Reeves também tiveram maior facilidade em usar o lado esquerdo para escrever.

Aqueles que desenham, pintam, ou escrevem com a mão esquerda são chamados de canhotos, os que preferem a direita são destros e os que usam as duas mãos são ambidestros.

Alunos da 3.ª série do Colégio Nossa Senhora das Graças, Guilherme Brito, Olivia Nagawama, Marina Cardim e Guilherme Trevizani relataram que machucaram a mão direita uma vez e que tiveram de usar, com muita dificuldade, a mão esquerda por alguns dias. Para as quatro crianças, a experiência não foi nada fácil: elas borravam o caderno para escrever, tinham muita dificuldade para pintar e para realizar atividades simples do dia-a-dia. “Quando eu quebrei o braço direito achava muito difícil escrever com a mão esquerda, mas mesmo assim era mais fácil do que escrever com a direita, que estava engessada”, conta Guilherme, de 9 anos . Eles perceberam que ser canhoto não é nada fácil, mas há quem ache muito bom. Giulia Falzoni, por exemplo, gosta porque ela tem facilidade em jogar tênis com a mão esquerda e conseqüentemente tem ótimos resultados nos treinos.

A técnica de handebol Andrea Maio concorda que pode haver uma vantagem: “O aluno tem que saber aproveitar a habilidade na hora de fazer a fita, porque eles podem confundir os adversários que estão esperando o drible do outro lado”, diz ela. Coincidência ou não, o titular do time de handebol, André Ribeiro, é canhoto.

Frederico Moura Ignácio, de 10 anos, também treina neste time de handebol, mas, apesar de ter o poder de desarmar o adversário lançando a bola com a mão esquerda, ele percebe algumas dificuldades por ser canhoto. Para escrever, por exemplo, a espiral do caderno incomoda muito. Marcelo Wajskop também acha ruim escrever porque a espiral machuca suas mãos na hora de fazer as tarefas.

Se até 1960 os professores proibiam as crianças de escrever com a mão esquerda, hoje tem se pensado cada vez mais nos alunos dentro do ambiente escolar, afinal os canhotos representam 10% da população mundial. As escolas já possuem carteiras adaptadas. Em algumas lojas conseguimos encontrar tesouras, cadernos, mouse, teclado e até abridores de lata para canhotos.

Para essa turma, os cadernos têm o espiral em cima e não na lateral, como um bloquinho de anotação. Ainda falando das dificuldades dos canhotos em usar materiais escolares para pessoas destras, Clara Abboud conta que usa uma tesoura especial para canhotos e diz que é bem mais fácil para cortar.

No Leadership Group, maior distribuidor de acessórios de informática do País, é possível comprar pela internet mouses e teclados especiais para canhotos (www.leadershop.com.br). Em Londres, capital da Inglaterra, existe uma loja com mais de 250 produtos especializados para canhotos (www.anythingleft-handed.co.uk). Vale a pena ficar atento a tudo que facilite a vida e a rotina de quem se vira melhor do lado esquerdo.

O fantástico mundo dos canhotos

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Aprender um ofício é coisa cheia de rituais. Tive um funcionário no Nabuco, um japonês, cuja maior frustração era não poder aprender a fazer sushi por ser canhoto. Não havia quem se dispusesse a aceitá-lo como aprendiz.

Contei essa história para o Arnaldo Lorençato e ele, encafifado e diligentemente, apurou que não há impedimento formal para eles mas que, de fato, “muitos chefs e sushiman destros têm certa repugnância em ensinar discípulos canhotos, pois são obrigados a inverter o processo para mostrar o corte. Um sacrifício, pois se trata de um processo ainda mais árduo que o aprendizado convencional”.

Lorençato forneceu outras informações preciosas, que agradeço partilhando com os leitores.

“Certo é que mestres e todos os tipos de artesãos preferem os destros, especialmente na carpintaria e na marcenaria, porque no artesanato se exige muita disciplina e uniformidade no resultado. Canhotos fazem nós e cortes diferentes. Precisam, portanto, trabalhar o dobro para superar esse obstáculo”, esclarece Lorençato.

“O mais famoso dos sushimen canhotos no Japão é Jiro Ono, dono e chef do Sukiyabashi Jiro, o três estrelas do sushi mais respeitado de Tokyo. Relatos sobre Jiro-san e também outro sushiman canhoto, Ryuichi Yui, dono e chef do Sushi “Ki”, podem ser lidos em Sushi o Kiwameru (tradução livre: Radicalizando o Sushi), ed. Kodansha, 2003, somente em japonês. Nesse livro, ambos contam o drama de ser canhoto num mundo de artesãos destros. O único sushiman canhoto de qual tenho notícia em São Paulo é Mario Nagayama, da rede Nagayama. Há anos, entretanto, ele atua apenas como empresário”, finaliza o critico que é também o maior e mais erudito especialista brasileiro em culinária japonesa.

Liberdade de aprendizado para os canhotos!

* Carlos Dória é doutor em sociologia e assina o Blog E-Boca Livre.

O canhoto na cozinha japonesa

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Canhoto ou destro: pesquisa indica que a influência das experiências ao longo da vida pode ser maior do que se imaginava

Ser destro ou canhoto pode ser apenas uma questão de prática, não sendo a genética tão determinante assim na definição de qual mão utilizamos para escrever ou que pé usamos para chutar uma bola, por exemplo. A afirmação pode parecer estranha, mas é o que sugerem trabalhos realizados pelo Laboratório de Sistemas Motores Humanos da Escola de Educação Física e Esportes da Universidade de São Paulo (EEFE/USP), que deram origem à pesquisa Lateralidade e comportamento motor. Os resultados do estudo demonstram que essa preferência é provocada pelo processo do desenvolvimento motor. “Nossa suposição é que as experiências motoras com cada uma das mãos têm importância muito maior no desenvolvimento da lateralidade do que se imagina”, alega Luis Augusto Teixeira, coordenador da pesquisa.

De forma geral, acredita-se que a lateralidade de uma pessoa seja provocada pelos genes. Por esse ponto de vista, um dos hemisférios cerebrais seria mais apto a controlar os movimentos voluntários e, em função dessa predisposição inata, a pessoa se tornaria destra ou canhota. No entanto, Teixeira observou que tanto a preferência pelo uso de uma das mãos quanto o desempenho motor relativo entre as mãos direita e esquerda podem ser facilmente modificados por experiências práticas. Isso tem implicações diretas na formação da lateralidade nos primeiros anos de vida, quando se estabelece a preferência. “O simples fato de a mãe colocar uma colher ou brinquedo sempre em uma das mãos de seu bebê poderia influir na formação de sua lateralidade”, pontua.

Os estudos têm mostrado que, para a grande maioria das ações motoras, a capacidade de aprendizagem é equivalente entre os lados direito e esquerdo do corpo. Por isso, uma vez que alguém se empenhe em praticar alguma atividade usando o lado não dominante pode, após algum tempo, desempenhar as ações praticadas alcançando a mesma eficiência com ambas as mãos.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores pediram a voluntários que fizessem exercícios que consistiam em realizar uma sequência de toques entre os dedos. Um grupo de pessoas fez o exercício com a mão preferida e o outro, com a mão não preferida. “Aqueles que começavam com a mão não dominante achavam que não conseguiriam realizar as tarefas”, conta Teixeira. Porém, a taxa de sucesso entre os dois grupos foi similar. A medição feita no final dos testes mostrou que o desempenho de ambos os grupos dependia muito mais da mão com que praticaram o exercício do que do fato de terem usado a mão preferida ou não.

Outro fator observado foi que uma certa prática leva aos mesmos resultados com os lados dominante e não dominante. Isso significa que, se uma ação é praticada com a mão não preferida, depois de pouco tempo o desempenho se torna melhor com esta mão do que com a mão dominante. “Assim, fica evidente que a plasticidade neural é capaz de, rapidamente, levar a uma vantagem de desempenho com a mão usada durante a prática”, analisa Teixeira. Não existe uma forma especial de prática com o lado não preferido em comparação ao praticado com o lado preferido. É preciso haver uma quantidade mínima de repetições com o propósito de melhorar o desempenho.

Circuitos

No domínio motor, porém, são poucas as ações em que há uma vantagem consistente de desempenho com um dos lados do corpo desde fases iniciais do desenvolvimento. Algo que os cientistas já sabem é que experiências com uma das mãos levam a modificações nos circuitos cerebrais. “Uma parte importante dessas modificações é específica ao hemisfério cerebral contralateral à mão utilizada. Assim, a especialização hemisférica é algo dinâmico, que se altera com as experiências do dia a dia”, explica o coordenador da pesquisa.

É aí que Teixeira sugere que a escolha do lado dominante do corpo pode ser feita por conta de acontecimentos na vida do indivíduo, ou mesmo por influência dos pais. “A criança se espelha nos pais. Se eles são destros oferecem tudo ao bebê com a mão direita. Com isso, a criança acaba tendendo a ser destra também.” Segundo o coordenador, a preferência manual é bastante variável até os 2 anos de idade, sendo bastante suscetível de ser afetada por fatores ambientais.

Então, como explicar os ambidestros? Alex Ribeiro Garcia, 29 anos, jogador do Universo e da Seleção Brasileira de Basquete, é um desses casos raros. Ele chuta com o pé esquerdo e arremessa com a mão esquerda, mas controla melhor a bola com a direita, a preferida também na hora de escrever. “Minha precisão é com a esquerda, mas sou mais confiante com meu lado direito”, diz o jogador, que se considera canhoto.

Para a ciência, no entanto, ele tem o que se chama lateralidade cruzada. “Por algum motivo, ele desenvolveu essa preferência cruzada. O que demonstra que elementos como prática ou algum acontecimento durante a vida tenha definido a ambidestralidade, mesmo que cruzada”, explica Luis Augusto Teixeira. Alex puxa pela memória, mas não sabe dizer o que pode ter definido suas escolhas. “Sou assim desde criança. Mas confesso que o esporte me ajudou a desenvolver essas habilidades que chamam de cruzadas.” Os estudos podem servir de estímulo para atletas treinarem os dois lados do corpo, buscando melhorar sua performance. “O difícil é convencer a pessoa a se empenhar e fazer com que os lados fiquem equiparados”, comenta Teixeira.

Domínio do cérebro

A lateralidade é a capacidade de controlar os dois lados do corpo juntos ou separadamente. Quem comanda essa atividade é o cérebro. Cada um de seus dois lados controla os movimentos da parte oposta do corpo. Assim, a mão e o pé esquerdos, por exemplo, são acionados pelo hemisfério cerebral direito, e vice-versa

A prática

O estudo traz resultados de vários trabalhos e elabora a tese de que a preferência pelo lado direito ou esquerdo não seria um fator genético pré-determinado, mas algo esculpido pelo processo de desenvolvimento motor. Portanto, os dois lados do corpo têm o mesmo potencial nesse desenvolvimento.

Os testes

Uma sequência de toque entre os dedos (movimento de pinça) foi proposta a voluntários. Um grupo fez o exercício com a mão preferida e um outro com a mão não preferida

Resultados

A taxa de sucesso nos dois grupos foi similar. A medição sugeriu que o desempenho dos grupos dependia muito mais da mão com que praticaram o exercício do que do fato de terem usado a mão preferida ou não. A prática foi determinante

Surpresa

Os voluntários que utilizaram a mão não preferida afirmaram que se sentiram mais confiantes fazendo o exercício com aquela mão depois de tentarem com a mão preferida

por Silvia Pacheco

Ser canhoto ou destro é só questão prática, diz pesquisa

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